Boletim de Pesquisa - Nelic

Editora:
Universidade Federal de Santa Catarina
Data de publicação:
2011-03-11
ISBN:
1984-784X

Descrição:

É uma publicação promovida pelo NELIC - Núcleo de Estudos Literários e Culturais com ênfase na produção dos estudos sobre Periodismo e periódicos literários e culturais no Brasil e na América Latina.

Documentos mais recentes

  • Apresentação
  • Lapalissíada e vigarices

    Duas breves prosas poéticas assinadas por Manuel Bandeira embasam a intervenção proposta: “Noturno da Rua da Lapa”, de Libertinagem (1930), e “O desmemoriado de vigário geral”, de Estrela da manhã (1936). Pensando com elas e a partir delas, mão dadas ao poeta almejo abordar a tensão polar entre um além e um aquém de sentidos. Ou, ainda, entre gestos poéticos e críticos de remissão e omissão. PALAVRAS-CHAVE: Manuel Bandeira; Poemas em prosa; “O desmemoriado de vigário geral”; “Noturno da Rua da Lapa”; Transcriação

  • Rádio Bandeira

    Entre os Poemas traduzidos por Manuel Bandeira, publicados pela primeira vez em livro em 1945, há um conhecido poema modernista hispano-americano chamado “Noturno”, de autoria do poeta colombiano José Asunción Silva (1865-1896). Para ressoar os efeitos sonoros do poema em espanhol, Bandeira aplica em alta concentração aqueles recursos versificatórios cujo aprendizado ele próprio relata no início do Itinerário de Pasárgada: sinalefas, sinéreses e diéreses; alternância entre terminações agudas, graves e esdrúxulas; ecos, reverberações, paronomásias etc. Com base na análise da tradução, este artigo visa discutir também elementos rítmicos da poesia de Bandeira e sua relação com a dicção coloquial e a história do verso livre no Brasil. PALAVRAS-CHAVE: Manuel Bandeira (1886-1968); José Asunción Silva (1865-1896); Ritmo

  • A prosa não quixotesca de Bandeira: ficção ou poesia

    Bandeira, sem ter escrito um conto sequer, conta inúmeras histórias. Em carta a João Cabral, reclama de redondilhas jogadas por seu amigo, como celebração natalina, a um cartão que mais pareciam pulgas de Anatole France. As pulgas provinham de Les matinées de la Villa Saïd, onde um professor Brown, conversando com o próprio Anatole-personagem, retomava os “percevejos que eram como este mahométane!” do Sancho do Quixote de Avellaneda. Já as pulgas de Bandeira, “quisera [ele, Bandeira,] que fossem feitas assim!”, não passadistas como o próprio sujeito de Anatole ou como aqueles versos jogados. Como a própria personagem de Anatole, de Avellaneda e o percevejo / a pulga de Bandeira surgem de um espaço insólito compõe a questão deste artigo, dando continuidade à iluminação de Sílvio Elia ao denominar Bandeira de “prosador maior”, dada a estranheza da(s) crônica(s) e sua mobilização nessas prosas do poeta e também em sua poesia. Finalmente, lemos o insólito não dado por estórias como devir, apesar da lamentação do Itinerário “Mas eu é que sei que não nasci com bossa para isso [para a prosa]. Bem que o tentei várias vezes.” PALAVRAS-CHAVE: Filologia; Periodismo; Narrativa; Insólito; Crônica

  • Do poema à canção: música e musicalidade em 'Vou-me embora pra pasárgada'

    A poesia de Manuel Bandeira, a mais musicada de sua geração, deu origem, de 1920 até os nossos dias, a mais de 140 canções. A maior parte dessa produção, entretanto, restringe-se ao universo da canção de câmara, um dado que suscita questões a respeito da musicalidade de seus versos e de seu respectivo potencial para o canto. Nessa linha de investigação, o presente artigo oferece uma comparação entre duas canções que tiveram por base o célebre poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, incluído no livro Libertinagem. Uma breve análise do poema de Bandeira e o confronto entre as versões de Guerra-Peixe e Gilberto Gil – levando em conta o modo como os dois artistas adaptaram os versos do poema à estrutura musical – têm por meta aprofundar o conceito de musicalidade na obra do escritor. PALAVRAS-CHAVE: Manuel Bandeira; Vou-me embora pra Pasárgada; Canção

  • Goya depois de Goya

    O procedimento de montagem do poema “Goya después de El Prado”, de Hebert Benítez, atualiza a Gravura # 43 de Francisco de Goya e, atravessado de heterocronia, incita a uma leitura do “princípio-atlas” (Georges Didi-Huberman) e da configuração do monstro como compossibilidade e mistura, desde a filosofia pré-socrática de Empédocles de Agrigento. A atribuição de valor, a causalidade, a periodização e, em especial, a heterocronia são substratos dessa cena de leitura que procura articular a gravura de 1799 e o poema de 1999 à noção de “desativação da autonomia” (Raúl Antelo) e, no percurso, encontra a heterocronia e a montagem da artista Leila Danziger, em sua exposição “Navio de emigrantes” (2018/2019). PALAVRAS-CHAVE: Francisco de Goya; Hebert Benítez; Heterocronia

  • Sobre o governo das memórias: aspectos de um domínio do real

    A partir de considerações sobre questões relacionadas à teoria da história, o presente ensaio analisa como a produção de uma narrativa historiográfica contém alguns aspectos que podem também ser detectados nos atuais modos de gestão de informações e governo político baseados em padrões da cibernética. Para tanto, num primeiro momento, expõe como as maneiras de operar na historiografia podem ser compreendidas a partir de uma poética do saber e, num segundo momento, entrelaça essa dinâmica aos padrões de gestão de probabilidades no âmbito das ciências físicas e sociais. Por fim, expõe como a produção de um real por meio do controle das probabilidades se tornou o eixo central para o domínio das experiências humanas em sua amplitude (desde a gestão das memórias às práticas de governo em sentido estrito). PALAVRAS-CHAVE: Teoria da história; Cibernética; Poética do saber

  • Bandeiras

    Partindo do projeto Bandeiras que o artista pernambucano Lourival Cuquinha vem desenvolvendo desde 2012, o presente texto procura se deter nas manifestações do valor, seja na forma do dinheiro, seja na forma do ouro, da obra poética de Manuel Bandeira, especialmente em dois poemas de Lira dos cinqüent’anos, “Carta de Brasão” e “Ouro Preto”, junto com alguns dos aqui chamados, seguindo nisso ao próprio poeta, “poemas pobres” de Mafuá do Malungo. O lugar que ocupa o dinheiro (e a poesia entendida enquanto trabalho) numa divisão esquemática da obra poética de Manuel Bandeira acabará mostrando as fraquezas fundamentais desta, abrindo passo a uma concepção pós-aurática ou an-autonómica da obra de arte.

  • Interpassi vidade e anonimato: o caso do pasquins em la mala hora

    Neste artigo, pretende-se discutir sobre a função temática e estética dos pasquins (bilhetes anônimos) presentes na composição da narrativa de La mala hora (1962), romance escrito por Gabriel García Márquez. Para isso, será realizada uma aproximação entre literatura e psicanálise, considerando as ideias apresentadas por Slavoj Zizek, no capítulo II, em seu livro Como ler Lacan (2010). Ao relacionar as reflexões de Zizek sobre o coro grego (artifício teatral) e o ciberespaço (artifício virtual) com os pasquins (artifício literário), tem-se o objetivo de averiguar o que esses meios – enquanto espaços de representação – têm em comum, para então compreender os efeitos de sentido dos pasquins na narrativa.

  • Atensão entre o privado e o público na tragédia hipólito de eu rípides

    Discutir o ‘privado’ e o ‘público’ em uma tragédia grega demanda que se preocupe com diversas questões, como, por exemplo, a posição da mulher e a do homem na casa, a atuação masculina na pólis e até mesmo a presença dos deuses nas relações humanas. A tragédia Hipólito, de Eurípides, nos proporciona um debate sobre os limites entre o ‘privado’ e o ‘público’, ressaltando como o homem e a mulher oscilam nesse caminho de conhecimento do mundo. Por peculiaridade de toda a cena dramática, a narrativa ocorre quando Teseu está ausente de casa sem que se saiba onde está e nem há o conhecimento se está vivo; é o momento da desintegração da sua família e consequentemente o limite do privado e do público das personagens se transforma.

Documentos em destaque

  • O cinema como ferramenta de fabulação, memória e invenção: leituras dos filmes 'Mauro em Caiena' e 'Branco sai, preto fica

    Este artigo busca perceber, em Mauro em Caiena (Leonardo Mouramateus. Fortaleza, 2012) e Branco Sai, Preto Fica (Adirley Queirós. Brasília, 2014), como esses filmes lidam com a fabulação e a memória numa perspectiva criadora para pensar a cidade. Abordaremos os filmes enquanto máquinas - a partir...

  • A escuta selvagem

    Estamos tão pendentes do que se escreve que perdemos o que se diz. O aturdito é aquilo que se diz e permanece esquecido atrás do que foi dito naquilo que se ouve. Os leitores são sempre aturditos e atordoados em relação ao universal e à existência da...

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    Em desdobramentos espaço-temporais muitas vezes distintos ou até mesmo divergentes, Raúl Antelo e Maria Gabriela Llansol partem de histórias da literatura, não à toa, para pensar a possibilidade de uma política que emerge como modo de ação e visibilidade daquilo que chamaremos os restos da história....

  • Adalgisa Nery e a literatura anáglifo diante e contra as imagens

    Este artigo busca pensar a escrita da escritora brasileira Adalgisa Nery, principalmente suas obras A Imaginária (2009) e A Neblina (1972), através do pensamento arquifilológico de Raúl Antelo. Ao encarar as imagens de Adalgisa propostas por Ismael Nery, Cândido Portinari e o poeta Murilo Mendes, o ...

  • Alguns dias no Brasil: incursões pelo diário de viagem de Adolfo Bioy Casares

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    Dom Quixote constituiu-se como um clássico da literatura ocidental através das interpretações canônicas que enfatizaram as qualidades pedagógicas que as aventuras do herói cervantino possibilitam ao leitor. No presente artigo, entretanto, busca-se pensar tal texto para além dos ensinamentos...

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    Neste texto, que tem todo o aspecto de uma conferência, deixei todas as marcas possíveis da oralidade, de modo que o meu sopro pudesse soar ao ouvidor de línguas e pronúncias várias, senhor das arqueologias mais secretas, habitante de duas casas (Argentina e Brasil), convidado em todas, Raúl Antelo....

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