Esboços. Revista do Programa de Pós-Graduação em História da UFSC

Editora:
Universidade Federal de Santa Catarina
Data de publicação:
2011-03-10
ISBN:
1414-722x

Descrição:

É uma revista dedicada a divulgar e debater artigos, pesquisas e enfoques que enriqueçam a produção do conhecimento histórico.

Número de revista

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  • Quando começa a Guerra Fria na América Latina?: um olhar a partir dos programas estadunidenses de auxílio técnico

    Este artigo discute e problematiza marcadores convencionalmente utilizados para definir o início da Guerra Fria na América Latina. Partindo de uma noção ampliada de Guerra Fria global, sustentada por autores como Westad (2005) e Pettina (2018), nossa perspectiva busca extrapolar a compreensão de grandes eventos político-militares como marcos definitivos da contenda global entre capitalismo e comunismo. Conforme constatado em revisão bibliográfica e na análise de fontes sobre os programas de cooperação técnica dos Estados Unidos para repúblicas latino-americanas, a noção de que a Guerra Fria chegou de fato ao hemisfério por ocasião da Revolução Cubana em 1959 ou mesmo após a participação dos EUA no golpe da Guatemala em 1954 se mostra insuficiente. Ao deslocarmos as lentes interpretativas de perspectivas históricas episódicas, é possível compreender como as pressões e tensões da Guerra Fria operaram em uma diversidade de fronts, muitos deles silenciosos, desestabilizando e direcionando aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais na América Latina como parte de uma longa trajetória de consolidação da hegemonia estadunidense na região. No presente exercício de análise, observamos esse fenômeno principalmente a partir de programas de auxílio técnico dos EUA em países latino-americanos, explicitando a forma pelas quais tais iniciativas ensejaram o favorecimento do capital privado estadunidense e o alinhamento do hemisfério aos desígnios anticomunistas de Washington

  • Gazetas Coloniais, anúncios e escravidão no início do Século XIX: uma comparação entre Rio de Janeiro e Jamaica

    O presente artigo se utiliza das gazetas coloniais para, a partir dos casos de Rio de Janeiro e Kingston no princípio do Oitocentos, analisar como os anúncios dos periódicos permitem interpretar os hábitos cotidianos das sociedades destes territórios, ambos importantes centros coloniais no espaço atlântico dos impérios britânico e português. Um exame estatístico de dois periódicos com apoios das respectivas monarquias, Gazeta do Rio de Janeiro e The Royal Gazette of Jamaica, é feito para permitir a comparação. Para cotejar os escravizados anunciados em cada um dos territórios, recolhemos também dados das gazetas referentes a taxa e razão de africanidade dos cativos anunciados, bem como taxa e razão de masculinidade e origens indicadas. A análise dos anúncios nas duas gazetas indica um padrão muito semelhante das ocorrências cotidianas que eram anunciadas na imprensa de territórios desenvolvidos em torno da escravidão, permitindo um novo olhar sobre os hábitos das sociedades coloniais. O estudo aponta para um modelo padrão de anúncios nas gazetas coloniais, mas com dados distintos sobretudo no que diz respeito à população escravizada e à política cultural. As dissemelhanças permitem refletir sobre a assimetria política entre as regiões numa época em que se desenhavam caminhos opostos: a Jamaica encerrara o tráfico de escravizados em 1807, enquanto o Rio experimentava um súbito aumento deste comércio após a fixação da Corte na cidade

  • Entre o trauma e a diplomacia: o memorial da guerra da Coreia e a construção da memória global

    Este artigo analisa o Memorial da Guerra da Coreia, destacando sua criação após a democratização do país em 1987 e seu papel na política de memória da Coreia do Sul, em conexão com outros países. São discutidas as dimensões epistêmicas, sociais e materiais dessa construção memorial. A análise se aprofunda ao investigar a influência do neoliberalismo na preservação e comercialização da memória, que transforma espaços de reflexão histórica, como o Memorial da Guerra da Coreia, em atrações turísticas. O artigo também aborda como a memória da Guerra da Coreia é tratada internacionalmente, explorando narrativas divergentes em países como os Estados Unidos e Coreia do Norte revelando suas implicações diplomáticas. Um aspecto central que merece maior destaque é a reflexão sobre como a guerra e sua monumentalização são percebidas em outros países envolvidos, especialmente no contexto da Guerra Fria. O artigo oferece uma crítica à interseção entre memória histórica, poder político e economia neoliberal, destacando o uso da história para fins comerciais e diplomáticos. Ao cruzar dados nacionais e internacionais com abordagens teóricas, contribui para uma compreensão mais ampla da construção, manipulação e consumo da memória coletiva em escala global

  • Escritas do impensável: figurações do passado haitiano

    A lo largo de este artículo, propongo una reflexión sobre diferentes figuraciones del pasado haitiano. En primer lugar, hago una breve descripción del lugar impensado de Haití como problema teórico. A continuación, selecciono cuatro obras para un análisis cruzado: Los jacobinos negros (1938), de C.L.R. James; El reino de este mundo (1949), de Alejo Carpentier; Hegel y Haití (2005), de Susan Buck-Morss; y Una ecología decolonial (2022), de Malcom Ferdinand. A pesar de la diversidad temática —que abarca desde el panafricanismo hasta el realismo mágico, desde la dialéctica hegeliana hasta el antropoceno—, estos trabajos comparten el pasado revolucionario haitiano tanto en la textura de sus relatos como en la agencia narrativa de los tiempos que evocan. En síntesis, la economía ensayística adoptada en la escritura busca hacer maleables las diferentes figuraciones de un pasado inacabado y espectral, que rechaza el olvido y se mantiene en continua reapertura a través de agendas políticas y teóricas

  • Colonialidade e psicanálise: o que ficou de fora das narrativas de origem

    A era vitoriana é tida como condição político-cultural para o surgimento da psicanálise. As condições históricas que forjaram a era vitoriana são sobre o que não se fala nas narrativas psicanalíticas sobre a sua origem. O período foi indissociável das vidas colonizadas fora da Europa. O exercício burguês de historicizar e perscrutar os eventos sexuais, eróticos e reprodutivos do século XIX contrasta com o silêncio de personalidades como Gustave Flaubert, Friedrich Nietzsche, Karl Marx e Sigmund Freud em relação à obscenidade da violência empreendida nas colônias. Como as heranças daquilo que ficou de fora, na crítica de uma época, atuam no analista brasileiro diante das questões de classe, raça, gênero, deficiência escutadas? Onde a psicanálise, em nossos pagos, reitera colonialismos e onde ela realiza a análise dos limites de seus fundamentos? Correlacionamos obras como A experiência burguesa da rainha Vitória a Freud – a educação dos sentidos, de Peter Gay, A era dos impérios, de Eric Hobsbawm, e Discurso sobre o colonialismo, de Aimé Césaire para compreender o que ficou de fora da história oficial da psicanálise. Assim, antes de reescrever uma história oportuna, decolonial e mais tragável da teoria da qual partimos, trata-se, talvez, de aventar que a experiência colonial tenha sido negada como parte das condições para o surgimento da psicanálise. O estudo relança a psicanálise para as questões do nosso tempo e da nossa geopolítica, para seguir na escrita de sua história

  • De Salvador ao Rio de Janeiro: a construção da autoria em Carlos Nelson Coutinho

    Este artigo analisa a formação intelectual e a construção da autoria de Carlos Nelson Coutinho entre Salvador e Rio de Janeiro. Partindo de sua inserção inicial em ambientes letrados familiares, escolares e políticos, examina-se o processo de afirmação como autor marxista, articulado à recepção de Lukács e Gramsci. A análise evidencia como espaços sociais, vínculos editoriais e militância cultural contribuíram para consolidar sua identidade intelectual, culminando na publicação de O estruturalismo e a miséria da razão (1972). O estudo mobiliza documentos, correspondências e publicações para compreender o surgimento da função autor em Coutinho

  • El colono microscópico: diseminación de la viruela en el contexto de la exploración europea del Nuevo Mundo

    El inicio de la colonización en la América española está íntimamente ligado a factores biológicos e históricos. Desde el momento en que los primeros europeos desembarcaron en el Caribe e interactuaron con los nativos, se establecieron diferencias biológicas que fueron cruciales para el inicio de uno de los mayores episodios de decadencia demográfica jamás experimentado por la humanidad. Desde la perspectiva de la Historia de la Ciencia, buscamos analizar la invasión española al territorio mexicano y caribeño de manera interdisciplinaria, mediante el levantamiento de fuentes documentales escritas y pictóricas que expresan el impacto de la viruela en las altas tasas de mortalidad indígena. Una vez separadas, Europa y Estados Unidos chocaron en uno de los primeros acontecimientos a escala global de la historia

  • El levantamiento de liberación nacional de 1916 en la provincia de Zhetysu, en Asia Central: el destino histórico de los refugiados kazajos y kirguisos que huyeron a China

    La investigación tiene como objetivo destacar los datos de archivo sobre las desastrosas consecuencias que sufrieron los pueblos kazajo y kirguís durante su reubicación forzosa en China. El enfoque principal para el estudio de este problema es un método de investigación sistémico-estructural. En el transcurso de este estudio, se obtuvieron los siguientes resultados. Se presentaron los hechos históricos que provocaron la rebelión de 1916 en el distrito de Zhetysu, en Asia Central

  • Por que é importante estudar história do Império Otomano?

    Este artigo trata da história do Império Otomano (1299-1922) e da historiografia do mesmo, buscando apresentar inicialmente ao público brasileiro os marcos principais, os conceitos, e os debates acadêmicos do que seriam a “ascensão” e “queda” desse império multiétnico, multirreligioso, multirracial e multilinguístico que perdurou por seis séculos em três continentes: Ásia, Europa e África. Passa-se então a debater sobre o que já há no Brasil a respeito e porque é necessário conhecê-lo melhor a partir do país, indo além de uma historiografia que fala em “mundo árabe” ou “mundo muçulmano” e que não entende o Império Otomano como também parte da Europa

  • Humor em tempos de cólera

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