INTERthesis. Revista Internacional Interdisciplinar

Editora:
Universidade Federal de Santa Catarina
Data de publicação:
2011-03-11
ISBN:
1807-1384

Descrição:

A Revista Internacional Interdisciplinar INTERthesis visa prover um fórum para estudos interdisciplinares em todas as áreas do conhecimento, em especial as Ciências Humanas. Os editores crêem que um entendimento abrangente dos fenômenos requer uma abordagem interdisciplinar. Nesse sentido, a Revista aceitará contribuições originais com temática interdisciplinar, estabelecendo pontes entre disciplinas principalmente em áreas temáticas tais como Estudos de Gênero, Sociedade e Meio Ambiente e Condição Humana na Modernidade.

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Documentos mais recentes

  • Alfas, redpills e outras polêmicas tragicômicas no YouTube

    Neste artigo, analisamos como o YouTube tem sido utilizado por influenciadores brasileiros na disseminação de discursos masculinistas, antifeministas e redpill, que muitas vezes se articulam com os discursos políticos de direita. A pesquisa se concentrou em três canais da plataforma, selecionados por sua expressiva audiência e continuidade no tempo, com dados coletados em dois momentos distintos: 2023 e 2025. A partir de uma abordagem etnográfica digital, foram observados vídeos, discursos e imagens veiculados pelos canais, com ênfase nas estratégias utilizadas para desqualificar o feminismo e reafirmar papéis de gênero tradicionais. Os três canais, embora adotem estilos distintos — um mais "acadêmico", outro com viés humorístico e um terceiro abertamente redpill — apresentam convergências importantes: repetição de argumentos, manipulação de dados e construção de narrativas distorcidas para sustentar perspectivas masculinistas e antifeministas. O estudo evidencia ainda o papel central dos algoritmos, da monetização e da linguagem na consolidação de uma cultura digital misógina, apontando para a importância de compreender tais dinâmicas na disputa contemporânea por sentidos sobre gênero e poder nas redes sociais

  • Pandemia e normatividade: a Covid-19 nos decretos de Guarapuava e Irati, Paraná (2020-2021)

    Este artigo analisa a pandemia de COVID-19 como um desastre socioambiental, examinando a produção normativa dos municípios de Guarapuava e Irati, no Paraná, entre 2020 e 2021. Ancorado na História Ambiental dos Desastres e articulando os referenciais da Biopolítica e da Cidadania Biológica, o estudo interpreta decretos e leis como dispositivos de regulação social que revelam tensões entre Estado, território e população. A análise multiescalar demonstra a forte dependência dos municípios em relação às diretrizes estaduais, resultando frequentemente na mera replicação de linguagem, marcada por ambiguidades e inconsistências. O artigo conclui que as respostas locais, embora operassem como mecanismos de contenção biopolítica, foram limitadas por estruturas frágeis e discursos ambíguos, evidenciando os desafios da governança local frente a um desastre global e tensionando os limites da cidadania biológica em contextos de crise

  • Máquinas de guerra: breve cartografia das artes das dissidências sexuais e de gênero brasileiras

    A partir do conceito de máquinas de guerra, que dá a ver os emaranhamentos entre subjetividades, semióticas e materialidades em devires de transgressão e produção de linhas de fuga; da compreensão do campo de forças nomeado com "arte ocidental" como da ordem de um poder disciplinar que anormaliza e invisibiliza determinadas estéticas – comunitárias, gênero dissidentes, racializadas –; e, finalmente, das viradas ontológicas colocados pelos feminismos neomaterialistas, o artigo, inscrito no vértice dos estudos do campo discursivo e dos estudos de gênero e sexualidade, cartografa as subjetivações, condutas e modos de fazer do que denomina artisticidades gênero-dissidentes, dando a ver, nessas estéticas das coisas e de si, um rizoma que inventa modos de ficar com o problema do humano, proposições éticas para as precariedades enfrentadas pelas dissidências de gênero e estratégias de resistência em prol de um bem viver

  • A eugenia em 1968: Afonso Rabe e o "direito de nascer sadio"

    Este trabalho tem como objetivo principal compreender a enunciação da eugenia pelo médico brasileiro e professor de puericultura Afonso Rabe em seu livro "Noções de Higiene, Educação Sanitária e Puericultura, publicado em 1968, identificando as condições de possibilidade dessa sua enunciação. A análise está ancorada nos conceitos de enunciado, biopolítica e governamentalidade propostos por Michel Foucault, e sustenta que a enunciação da eugenia feita por Afonso Rabe está relacionada com a Teoria do Capital Humano e a percepção do "neoliberalismo americano" na sociedade brasileira, principalmente na segunda metade do século XX. O artigo inicia discutindo os modos como os discursos eugenistas se inscrevem no tempo presente, na sequência apresenta um breve cenário das duas principais correntes de discursos eugenistas no Brasil durante o século XX e conclui com a análise do enunciado encontrado no livro de Afonso Rabe

  • Primeiras experiências do Projeto de Extensão "Jogando com a Quebrada"

    Desde outubro de 2024, o Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH/UFSC) formou parceria com a organização não governamental Prototipando a Quebrada (PAQ) para a criação de um jogo digital com foco na questão da segurança on-line e no combate às violências de gênero nos meios digitais (Wolff; Schmitt, 2024a). No âmbito do Projeto "Internet Segura com Perspectiva Crítica de Gênero", a colaboração conjunta proporcionou encontros presenciais e remotos para direcionar e acompanhar o desenvolvimento do jogo que, de forma inédita, colocou pesquisadoras e jovens que participam do PAQ em diálogo e reflexão, possibilitando a produção de conhecimento interdisciplinar que transborda os muros da universidade e se desdobra em uma prática extensionista chamada "Jogando com a Quebrada". O objetivo deste artigo é historicizar este processo de amadurecimento e efetiva produção, que é perpassada pela metodologia descritiva (Marconi; Lakatos, 2017) e cotejada pelas considerações que orientam o conceito de Tecnologia Mundana (Michael, 2003; Nemer 2022)

  • Branquitude mestiça e a categoria parda

    Resenha da obra: BASTOS, Janaina. Cinquenta tons de racismo: mestiçagem e polarização racial no Brasil. São Paulo: Matrix, 2023.

  • Margens e memórias: os ribeirinhos do rio Doce e os desafios territoriais em Governador Valadares

    O artigo analisa as relações socioecológicas entre o rio Doce e as comunidades ribeirinhas urbanas de Governador Valadares. Destaca-se as perspectivas histórica, econômica, cultural e política do rio na constituição do território e das identidades locais. A investigação se apoia em três perspectivas interligadas: o rio como recurso, como sagrado e como risco. Além de ser essencial para a subsistência e a memória cultural dessas comunidades, o rio também evoca vulnerabilidades, especialmente frente às enchentes sazonais e ao desastre da barragem de rejeitos de mineração da Samarco em 2015, que impôs profundos impactos socioambientais. Discute-se ainda os desafios relacionados à urbanização e à mineração, e como esses processos afetam a qualidade de vida e a permanência territorial dos ribeirinhos. Em suma, a realidade dos ribeirinhos de Governador Valadares reflete um território vivido, onde a perspectiva econômica, que vê o rio como recurso, convive e tenciona com a dimensão cultural, que o concebe como sagrado, e são atravessadas pela dimensão política do risco, que estrutura vulnerabilidades

  • Aqueles que podem dar ordens, o fazem; aqueles que são smart, obedecem: uma crítica anarquista à “inteligência” neoliberal no contexto de smart cities

    As cidades inteligentes são uma tendência urbana em crescimento, mas sua definição permanece indefinida, frequentemente moldada pelos interesses de seus idealizadores. Embora as cidades inteligentes não tenham se originado no Sul Global, tornaram-se um tema de discussão no Brasil, apresentadas como uma necessidade para que as cidades possam competir por investimentos. Em 2018, um grupo de associações locais, juntamente com a Prefeitura de Florianópolis, no sul do Brasil, lançou os relatórios “Smart Floripa”. Esta pesquisa busca oferecer uma crítica à conceituação de "inteligência" implícita nesses relatórios, fundamentando-se na teoria anarquista e na geografia crítica, revelando-a como um artifício retórico em disputas sobre políticas urbanas e princípios de organização sociopolítica. Como método, escolhemos a análise documental de dois relatórios: “Smart Floripa 2030: transformando Florianópolis em uma cidade inteligente” e “Smart City Florianópolis: a jornada para criar o caminho da inovação em uma ilha turística”. Iniciamos o artigo considerando o neoliberalismo e seus impactos nos municípios brasileiros. Em seguida, discutimos as cidades inteligentes e os relatórios Smart Floripa, que reforçam políticas de urbanização neoliberais, verificadas pela literatura crítica como um paradigma de desenvolvimento urbano. Concluímos com reflexões sobre o significado da “inteligência” neoliberal.

  • Escrita-corpo na carne política: movimentos fugitivos, ficção visionária e subjetivação

    Este artigo mobiliza um diálogo entre a escrita fugitiva de politização da ferida e a imaginação de lugares outros para poéticas, corpos e existências dissidentes. Estamos interessados na investigação da potencialidade da experimentação da escrita enquanto técnica de si e modo de subjetivação que não esteja aliançada a um enquadramento violento branco cisheteronormativo. Para tal, fazemos uso do livro de Jota Mombaça, Não vão nos matar agora, publicado em 2021, que se entende como "um espaço de experimentação, fazendo da palavra e do corpo ferramentas de crítica, potência e combate". Reunindo ensaios, poesias, cartas e contos de "ficção visionária", o livro oferece aportes para pensar corpos dissidentes em um mundo que configura-se como trauma e negação de sua própria existência. O objetivo é entender de que maneira Mombaça procura mobilizar a escrita e suas relações com arte e performance para pensar um caráter pedagógico de si através de um trabalho ético frente à violência contra o corpo dissidente e de que maneira a sua especulação possibilita um processo de reconfiguração e disputa do domínio do possível

  • Mídias e educação: dicotomias e outras possibilidades

    As mídias têm permeado as relações entre pessoas e sistemas de maneira global, ocupando uma centralidade na vida contemporânea em termos de cultura, política, economia e relações pessoais. Nesse sentido, é preciso entender os limites e possibilidades ofertadas por essas mídias e a quem elas servem. Pensar a educação midiática consiste na apropriação instrumental, crítico e produtivo/criativo das mídias, tanto pelos professores e profissionais da educação, quanto pelos alunos e sociedade em geral, tendo em vista que esse conhecimento é essencial para a formação cidadã. A partir das experiências vividas pela autora no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina e do trabalho como professora temporária da Rede Municipal de Ensino de São José-SC nos anos 2023 e 2024, é que se pretende refletir como lidar com a dicotomia entre os interesses mercadológicos por trás das tecnologias educacionais, considerando a verticalização dos processos governamentais no sistema educacional, e o papel da educação midiática na formação crítica, reflexiva e criativa para a cidadania.

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