Revista crítica de humanidades

Editora:
Universidade Católica do Salvador - UCSAL
Data de publicação:
2019-05-31
ISBN:
2447-861X

Documentos mais recentes

  • Interações contemporâneas entre o rural e o urbano
  • O rural e o urbano em interação
  • Território indígena do massacará: urbanidade rural, ruralidade urbana

    Este artigo tem o escopo de evidenciar as relações entre territorialidade e identidade étnica, no Território Indígena do Massacará, pertencente à etnia Kaimbé, partindo da dicotomia entre os elementos de urbanidade rural e de ruralidade urbana, elaborados pela população local. Contando com cinco séculos de contato com a sociedade de entorno, os Kaimbé tiveram que aprender a lidar com modelos culturais e institucionais, que não os seus próprios. Desse aprendizado, brotou uma maneira, muito particular, de relacionamento com o universo não- indígena. Este estudo traduz um esforço teórico, cujo resultado deverá subsidiar uma investigação etnográfica mais ampla, sobre a importância do território para a consubstanciação da identidade indígena Kaimbé. Outrossim, constitui uma pesquisa de prospecção, fundamentada na experiência dos autores, na localidade, bem como na literatura contemporânea disponível sobre o tema.

  • O êxodo dos jovens rurais, a teoria do bem viver e a resistência da comunidade remanescente de quilombo do Ibicuí D'Armada, na fronteira do RS

    O presente artigo tem por objetivo compreender os processos de resistência e perenidade das famílias do território quilombola do Ibicuí d’Armada, localizado no município de Sant’Ana do Livramento na fronteira oeste do RS. Para atingir este objetivo foi adotada abordagem qualitativa, com entrevistas com um grupo de jovens moradores da comunidade e a liderança local. Tomando por base as teorias das capacitações e a teoria do Bem Viver, conclui-se que a comunidade remanescente quilombola possui extrema riqueza cultural e histórica para o município, possuindo potencial ainda não explorado para alavancar desenvolvimento rural, cultural, social e humano, mas que, se não houver ações efetivas neste sentido, o território corre sério risco de se extinguir.

  • O direito à moradia nas cidades sob a perspectiva camponesa: uma reflexão através da resistência individual e em grupo

    O presente texto faz parte das reflexões oriundas da tese de doutorado da autora, defendida em 2017, na Universidade Federal da Bahia – UFBA, e inseridas no conjunto da problemática abordada pelo Grupo de Pesquisa GeografAR (PósGeo/ UFBA). Seu objetivo é trazer reflexões sobre o direito à moradia na perspectiva camponesa em seu processo de desterritorialização, quando são obrigados a migrar para as cidades e de reterritorialização, quando tentam imprimir nas cidades seu modo de vida camponês. Como metodologia, aborda-se a questão do rural e urbano no contexto brasileiro e, a partir daí, trata-se da realidade e das estratégias de um camponês isolado, que não e insere num grupo social, porém, luta para manter seu modo de vida e a de um conjunto de camponeses que se insere num grupo social que luta por moradia no contexto da cidade de Salvador. As reflexões advindas a partir dos casos estudados indicam processos de desterritorialização decorrentes do êxodo rural, que são consequentes das perspectivas sociais de inviabilização do acesso à terra. Assim sendo, foram comuns a ambos, situações de sofrimento e, para além deste, de resistência camponesa no meio urbano. Visualiza-se, a partir destes exemplos, que o camponês se prejudica no seu processo de perda territorial, porém estes mesmos sujeitos trazem à tona formas de se reterritorializar a partir da luta pela manutenção de seu modo de vida, mesmo com dificuldades.

  • O olhar das comunidades de Santo Amaro do Maranhão frente ao projeto de Lei do Senado N° 465, de 2018

    Geralmente, grandes projetos propõem desenvolvimento para as comunidades afetadas. Refere-se a um assunto desafiador para todos os atores envolvidos no território, tanto na sua diversidade como complexidade. O Projeto de Lei do Senado (PLS) 465/2018 planeja alterar os limites do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, ampliando e excluindo áreas para promover o desenvolvimento do turismo na região e fazer justiça com as comunidades que precisam de equipamentos públicos básicos. Segundo a equipe multidisciplinar de pesquisadores do Grupo de Estudos Rurais e Urbanos (GERUR), da Universidade Federal do Maranhão, que realizou um Relatório Técnico deste PLS, em fevereiro de 2019, considerou que “entre outros efeitos danosos, caso o PLS prospere, será o de possibilitar que terras públicas de unidades de conservação de proteção integral, entrem para o mercado e passem às mãos de particulares”. O objetivo deste artigo é explicar qual o panorama das comunidades envolvidas neste projeto alicerçado na problemática de como realmente é a percepção destes atores frente a esta questão. Para isso, estudos foram realizados através de pesquisas bibliográficas e relatórios técnicos, análises de audiências e entrevistas com famílias de algumas comunidades de Santo Amaro que adentram neste propósito. Conclui-se que através do diálogo com as comunidades poderá trazer um novo olhar quando o assunto se trata de desenvolvimento em comunidades.

  • Um breve pensar sobre o racismo no Brasil

    O texto faz uma discussão sobre a formação da população brasileira como fruto do encontro de diferentes grupos étnicos, dos povos nativos, dos europeus, dos africanos e dos imigrantes (europeus e asiáticos), pensando num país formado por matrizes culturais, diversas e distintas, ricas e complexas. Outro ponto abordado será como se organizou o ordenamento jurídico brasileiro, quais os propósitos que o conformou de tal modo a colocar as populações negra e indígena numa condição de seres humanos inferiores. É feita uma discussão sobre o processo de resistência, dando ênfase ao século XX, que se contrapõe ao pensamento racista, à ideia de que vivíamos numa democracia racial, assim como os movimentos que surgiram em contraponto à condição a que foram submetidos os negros. Por fim, serão apresentadas as ações efetivas para reparar as injustiças praticadas contra o povo, denominadas ações afirmativas, a exemplo da Lei 10.639/2003 e do Estatuto da Igualdade Racial/2010, que busca, de modo efetivo, resgatar a história da cultura afro no Brasil, garantindo-lhe os direitos, negados durante mais de quatro séculos.

  • A cidade murada: interdição e medo

    O trato, a convivência com o concidadão parecem ter se exaurido do cotidianos das cidades contemporâneas, pelo simples fato de o pacto de convívio ter entrado em declínio, ou praticamente ter se desajustado da proposta inicial da cidade, uma vez que a sociabilidade com o diferente se reduz na mesma medida em que aumenta o distanciamento do Outro. Nesse sentido, o trabalho busca analisar as imagens de convivência presentes na cidade de Salvador representadas pela literatura e pelo cinema contemporâneo que trazem no cerne da narrativa os espaços da cidade contemporânea e a relação dos personagens com eles. Como forma de expressar esse fenômeno ou até mesmo de buscar tornar os muros imaginários mais visíveis é que as narrativas A rainha do cine Roma de Alejandro Reis (2010), Salvador negro rancor de Fábio Mandingo (2011), Ó pái, ó de Monique Gadenberg (2007), e Estranhos de Paulo Alcântara (2009) representam Salvador, a partir dos seus medos e enclaves contemporâneos. A fim de alcançar esse resultado, este trabalho elege a mirada dos Estudos Culturais, que investem nos diversos contextos da cidade enquanto texto, bem como em uma ótica multidisciplinar, alicerçada nos estudos urbanos. A pesquisa permitiu identificar nas obras que a solidariedade e os afetos humanos presentes nos espaços públicos da Cidade são diariamente sufocados por crueldade, miséria e barreiras à ampla convivência entre os diversos segmentos da sociedade.

  • Mulheres e luta por moradia mudanças nas práticas associativas nas periferias de Florianópolis e Lisboa

    O artigo tem por objetivo analisar as transformações em ocorridas em localidades surgidas de lutas por moradia em dois países. A partir de dados coletados no Brasil (no bairro Monte Cristo, em Florianópolis) e em Lisboa (na Cova da Moura, na área metropolitana de Lisboa), pretende-se identificar elementos que permitam a compreensão das transformações por que passaram as práticas associativas nessas localidades. Tendo como base a observação etnográfica e entrevistas com lideranças, a análise das duas localidades permitiu identificar alguns traços comuns, os quais são de fundamental importância para a elucidação do processo de reconfiguração territorial pelo qual passa a população dessas áreas no período decorrido entre a conquista da moradia e a consolidação de uma nova forma de produzir as suas condições de existência no bairro. De um lado, as mudanças nas práticas associativas, e de outro, a permanência da participação das mulheres nesses movimentos que envolvem a moradia.

  • Políticas públicas para habitação popular no Brasil: ciência ou ardil?

    A adversidade do déficit habitacional é ainda uma questão pulsante no Brasil. Apesar dos esforços da administração pública, verificados nas últimas décadas, para a produção de políticas públicas atreladas a programas sociais de moradia (em especial o Programa Minha Casa Minha Vida), as condições das Habitações de Interesse Social (HIS) parecem ainda estar distantes da real necessidade das famílias beneficiadas. Dentre outras mazelas, é sabido que existem números expressivos de evasão de moradores neste tipo de conjunto habitacional, enfatizando a sua falta de efetividade na ânsia de suprir a necessidade de moradia ou de promover acesso ao espaço urbano. Sendo assim, este artigo objetiva avaliar as condições em que são construídas as HIS e avaliar se elas atendem às demandas da população, o que seria crucial para avaliar a funcionalidade e promover o aprimoramento destas iniciativas. A partir disso realizou-se uma pesquisa exploratória de publicações com os seguintes termos: moradia, habitação popular, habitação de interesse social, e evasão de conjunto habitacional; e foram selecionados estudos que abrangessem os temas de qualidade das habitações, planejamento urbano, deslocamento ambiental, disponibilidade de infraestrutura de serviços urbanos e conjuntura socioeconômica da população beneficiada. As diferentes necessidades inerentes ao indivíduo, enquanto cidadãos, trabalhadores e usuários do espaço urbano por direito, precisam ser abrangidas na execução dos programas de moradia, e, por este motivo, foram pontos chave destacados neste trabalho para que sejam considerados na construção de políticas públicas habitacionais, em busca de moradias mais satisfatórias, iniciativas mais sustentáveis e de um espaço urbano mais igualitário.

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