Revista crítica de humanidades

Editora:
Universidade Católica do Salvador - UCSAL
Data de publicação:
2019-05-31
ISBN:
2447-861X

Documentos mais recentes

  • Um breve pensar sobre o racismo no Brasil

    O texto faz uma discussão sobre a formação da população brasileira como fruto do encontro de diferentes grupos étnicos, dos povos nativos, dos europeus, dos africanos e dos imigrantes (europeus e asiáticos), pensando num país formado por matrizes culturais, diversas e distintas, ricas e complexas. Outro ponto abordado será como se organizou o ordenamento jurídico brasileiro, quais os propósitos que o conformou de tal modo a colocar as populações negra e indígena numa condição de seres humanos inferiores. É feita uma discussão sobre o processo de resistência, dando ênfase ao século XX, que se contrapõe ao pensamento racista, à ideia de que vivíamos numa democracia racial, assim como os movimentos que surgiram em contraponto à condição a que foram submetidos os negros. Por fim, serão apresentadas as ações efetivas para reparar as injustiças praticadas contra o povo, denominadas ações afirmativas, a exemplo da Lei 10.639/2003 e do Estatuto da Igualdade Racial/2010, que busca, de modo efetivo, resgatar a história da cultura afro no Brasil, garantindo-lhe os direitos, negados durante mais de quatro séculos.

  • A cidade murada: interdição e medo

    O trato, a convivência com o concidadão parecem ter se exaurido do cotidianos das cidades contemporâneas, pelo simples fato de o pacto de convívio ter entrado em declínio, ou praticamente ter se desajustado da proposta inicial da cidade, uma vez que a sociabilidade com o diferente se reduz na mesma medida em que aumenta o distanciamento do Outro. Nesse sentido, o trabalho busca analisar as imagens de convivência presentes na cidade de Salvador representadas pela literatura e pelo cinema contemporâneo que trazem no cerne da narrativa os espaços da cidade contemporânea e a relação dos personagens com eles. Como forma de expressar esse fenômeno ou até mesmo de buscar tornar os muros imaginários mais visíveis é que as narrativas A rainha do cine Roma de Alejandro Reis (2010), Salvador negro rancor de Fábio Mandingo (2011), Ó pái, ó de Monique Gadenberg (2007), e Estranhos de Paulo Alcântara (2009) representam Salvador, a partir dos seus medos e enclaves contemporâneos. A fim de alcançar esse resultado, este trabalho elege a mirada dos Estudos Culturais, que investem nos diversos contextos da cidade enquanto texto, bem como em uma ótica multidisciplinar, alicerçada nos estudos urbanos. A pesquisa permitiu identificar nas obras que a solidariedade e os afetos humanos presentes nos espaços públicos da Cidade são diariamente sufocados por crueldade, miséria e barreiras à ampla convivência entre os diversos segmentos da sociedade.

  • Mulheres e luta por moradia mudanças nas práticas associativas nas periferias de Florianópolis e Lisboa

    O artigo tem por objetivo analisar as transformações em ocorridas em localidades surgidas de lutas por moradia em dois países. A partir de dados coletados no Brasil (no bairro Monte Cristo, em Florianópolis) e em Lisboa (na Cova da Moura, na área metropolitana de Lisboa), pretende-se identificar elementos que permitam a compreensão das transformações por que passaram as práticas associativas nessas localidades. Tendo como base a observação etnográfica e entrevistas com lideranças, a análise das duas localidades permitiu identificar alguns traços comuns, os quais são de fundamental importância para a elucidação do processo de reconfiguração territorial pelo qual passa a população dessas áreas no período decorrido entre a conquista da moradia e a consolidação de uma nova forma de produzir as suas condições de existência no bairro. De um lado, as mudanças nas práticas associativas, e de outro, a permanência da participação das mulheres nesses movimentos que envolvem a moradia.

  • Políticas públicas para habitação popular no Brasil: ciência ou ardil?

    A adversidade do déficit habitacional é ainda uma questão pulsante no Brasil. Apesar dos esforços da administração pública, verificados nas últimas décadas, para a produção de políticas públicas atreladas a programas sociais de moradia (em especial o Programa Minha Casa Minha Vida), as condições das Habitações de Interesse Social (HIS) parecem ainda estar distantes da real necessidade das famílias beneficiadas. Dentre outras mazelas, é sabido que existem números expressivos de evasão de moradores neste tipo de conjunto habitacional, enfatizando a sua falta de efetividade na ânsia de suprir a necessidade de moradia ou de promover acesso ao espaço urbano. Sendo assim, este artigo objetiva avaliar as condições em que são construídas as HIS e avaliar se elas atendem às demandas da população, o que seria crucial para avaliar a funcionalidade e promover o aprimoramento destas iniciativas. A partir disso realizou-se uma pesquisa exploratória de publicações com os seguintes termos: moradia, habitação popular, habitação de interesse social, e evasão de conjunto habitacional; e foram selecionados estudos que abrangessem os temas de qualidade das habitações, planejamento urbano, deslocamento ambiental, disponibilidade de infraestrutura de serviços urbanos e conjuntura socioeconômica da população beneficiada. As diferentes necessidades inerentes ao indivíduo, enquanto cidadãos, trabalhadores e usuários do espaço urbano por direito, precisam ser abrangidas na execução dos programas de moradia, e, por este motivo, foram pontos chave destacados neste trabalho para que sejam considerados na construção de políticas públicas habitacionais, em busca de moradias mais satisfatórias, iniciativas mais sustentáveis e de um espaço urbano mais igualitário.

  • O planejamento urbanístico e ambiental na bacia do Rio Camboriú e contíguas: a interdependência entre dois municípios

    Este artigo tem por objetivo apresentar uma análise do cenário de crises, disputas e resistências que envolve as comunidades tradicionais pesqueiras e quilombolas da Ilha de Maré, Salvador – Bahia. Uma das temáticas que tem ganhado relevante destaque, nas últimas décadas, refere-se às inúmeras disputas e conflitos territoriais que as comunidades tradicionais pesqueiras têm vivenciado nos seus territórios. No estado da Bahia esse cenário envolve cerca de 600 comunidades e mais de 100 mil famílias, dentre as quais destacamos aquelas situadas na Ilha de Maré, localizada na Baía de Todos os Santos (BTS). Possuidoras de um amplo conhecimento sobre as águas, os manguezais e os pescados da BTS, a relação de apropriação desenvolvida por essas comunidades com a natureza é caracterizada por extremos laços de identidade, pertencimento e, principalmente, respeito, onde são desenvolvidos valores simbólicos e materiais que asseguram o seu modo de vida e configuram suas territorialidades. Territorialidades que têm sido intensamente ameaçadas e, em alguns casos, destruídas, pelo modelo de desenvolvimento historicamente empregado no local. Observa-se que os espaços que eram de uso das comunidades, aos poucos, foram sendo ocupados, delimitados e controlados por novas e distintas atividades (aquícola, portuária, metalúrgica, petroquímica, turística etc.), originando inúmeras crises sociais, econômicas, ambientais, além das disputas territoriais. Para o desenvolvimento da análise, recorremos metodologicamente às técnicas da pesquisa participante com a utilização dos seguintes instrumentos: levantamento bibliográfico, documental e, principalmente, de campo, com a realização de reuniões, participação em audiências públicas, oficinas de geografia e cartografia, mapeamento e georreferenciamento dos territórios em disputa.

  • Crises, disputas e resistências: os territórios tradicionais das comunidades pesqueiras e quilombolas da Ilha de Maré ? BA

    Este artigo tem por objetivo apresentar uma análise do cenário de crises, disputas e resistências que envolve as comunidades tradicionais pesqueiras e quilombolas da Ilha de Maré, Salvador – Bahia. Uma das temáticas que tem ganhado relevante destaque, nas últimas décadas, refere-se às inúmeras disputas e conflitos territoriais que as comunidades tradicionais pesqueiras têm vivenciado nos seus territórios. No estado da Bahia esse cenário envolve cerca de 600 comunidades e mais de 100 mil famílias, dentre as quais destacamos aquelas situadas na Ilha de Maré, localizada na Baía de Todos os Santos (BTS). Possuidoras de um amplo conhecimento sobre as águas, os manguezais e os pescados da BTS, a relação de apropriação desenvolvida por essas comunidades com a natureza é caracterizada por extremos laços de identidade, pertencimento e, principalmente, respeito, onde são desenvolvidos valores simbólicos e materiais que asseguram o seu modo de vida e configuram suas territorialidades. Territorialidades que têm sido intensamente ameaçadas e, em alguns casos, destruídas, pelo modelo de desenvolvimento historicamente empregado no local. Observa-se que os espaços que eram de uso das comunidades, aos poucos, foram sendo ocupados, delimitados e controlados por novas e distintas atividades (aquícola, portuária, metalúrgica, petroquímica, turística etc.), originando inúmeras crises sociais, econômicas, ambientais, além das disputas territoriais. Para o desenvolvimento da análise, recorremos metodologicamente às técnicas da pesquisa participante com a utilização dos seguintes instrumentos: levantamento bibliográfico, documental e, principalmente, de campo, com a realização de reuniões, participação em audiências públicas, oficinas de geografia e cartografia, mapeamento e georreferenciamento dos territórios em disputa.

  • Interações contemporâneas entre o rural e o urbano
  • O rural e o urbano em interação
  • Território indígena do massacará: urbanidade rural, ruralidade urbana

    Este artigo tem o escopo de evidenciar as relações entre territorialidade e identidade étnica, no Território Indígena do Massacará, pertencente à etnia Kaimbé, partindo da dicotomia entre os elementos de urbanidade rural e de ruralidade urbana, elaborados pela população local. Contando com cinco séculos de contato com a sociedade de entorno, os Kaimbé tiveram que aprender a lidar com modelos culturais e institucionais, que não os seus próprios. Desse aprendizado, brotou uma maneira, muito particular, de relacionamento com o universo não- indígena. Este estudo traduz um esforço teórico, cujo resultado deverá subsidiar uma investigação etnográfica mais ampla, sobre a importância do território para a consubstanciação da identidade indígena Kaimbé. Outrossim, constitui uma pesquisa de prospecção, fundamentada na experiência dos autores, na localidade, bem como na literatura contemporânea disponível sobre o tema.

  • O êxodo dos jovens rurais, a teoria do bem viver e a resistência da comunidade remanescente de quilombo do Ibicuí D'Armada, na fronteira do RS

    O presente artigo tem por objetivo compreender os processos de resistência e perenidade das famílias do território quilombola do Ibicuí d’Armada, localizado no município de Sant’Ana do Livramento na fronteira oeste do RS. Para atingir este objetivo foi adotada abordagem qualitativa, com entrevistas com um grupo de jovens moradores da comunidade e a liderança local. Tomando por base as teorias das capacitações e a teoria do Bem Viver, conclui-se que a comunidade remanescente quilombola possui extrema riqueza cultural e histórica para o município, possuindo potencial ainda não explorado para alavancar desenvolvimento rural, cultural, social e humano, mas que, se não houver ações efetivas neste sentido, o território corre sério risco de se extinguir.

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