Revista crítica de humanidades

Editora:
Universidade Católica do Salvador - UCSAL
Data de publicação:
2019-05-31
ISBN:
2447-861X

Documentos mais recentes

  • Os centros offshore de negociação de produtos financeiros denominados em renminbi e o by-pass institucional

    O objetivo principal deste artigo é contribuir para os estudos sobre a internacionalização da moeda chinesa, o renminbi (RMB), por meio de uma teoria pouco conhecida nas Relações Internacionais, mas adotada na área de Direito e Desenvolvimento, qual seja, o International Institutional Bypass (by-pass institucional). Segundo Prado e Hoffman (2017), o by-pass institucional assemelha-se aos desvios criados pelos cirurgiões em torno de uma artéria obstruída, utilizando uma nova veia retirada de outra parte do corpo do paciente. Nas ciências sociais, isso significa que as autoridades governamentais criam instituições em vez de reformar aquelas tradicionais. Em determinados casos, por meio do desvio institucional, os governos formam novas instituições que, na prática, ignoram as funções daquelas que consideram disfuncionais. Depois, as instituições “defeituosas” acabam coexistindo, complementando ou desaparecendo em virtude daquelas recém-criadas. Aplico a teoria do by-pass institucional para estudar um fenômeno específico do processo de internacionalização do RMB. Trata-se de inovações constituídas sob a liderança de Pequim dentro do sistema financeiro global. São centros financeiros internacionais que oferecem ativos financeiros, tais como ações e títulos públicos, denominados em RMB (RMB Offshore Centers). A minha hipótese é a de que os RMB Offshore Centers podem ser classificados como by-pass institucional, permitindo uma avaliação mais apurada dos movimentos estratégicos realizados pela China dentro do sistema financeiro internacional

  • O Brasil na reestruturação produtiva da manufatura avançada: políticas, ações e desafios

    A partir da segunda década do século XXI, vivenciamos o acirramento da concorrência global e o florescimento de novas estratégias produtivas e organizacionais de desenvolvimento pautadas no incentivo à ciência, à tecnologia e à inovação. Para compreender as particularidades dessa nova fase política e econômica do capitalismo global e do engajamento do Brasil nesse processo, este artigo analisa o que denominamos de Reestruturação Produtiva da Manufatura Avançada (RPMA). As reflexões estão amparadas em investigação bibliográfica exploratória e em pesquisa de campo, a partir de entrevistas semiestruturadas com atores diretamente relacionados à produção e à pesquisa da Manufatura Avançada. Os resultados da investigação demonstram que apesar das proposições políticas e das ações nacionais públicas e privadas sintonizadas com a nova reestruturação produtiva e organizacional, o Brasil carece de uma estratégia de desenvolvimento multisetorial robusta e meios políticos e econômicos para efetivá-la, além de defrontar-se com antigos e persistentes desafios políticos, infraestruturais e socioeconômicos

  • Análise pêcheutiana do discurso da braskem face ao crime corporativo em maceió

    Este trabalho tem como objetivo realizar um gesto de interpretação sobre como a Braskem tenta silenciar sua autoria no crime corporativo em Maceió, Alagoas. Considerando a Teoria do discurso associada às abordagens críticas à atuação empresarial do ponto de vista da sustentabilidade e utilizando a Análise do Discurso Francesa, fundada por Michel Pêcheux, aplicada sobre um corpus que reúne três sequências discursivas retiradas do relatório da Braskem sobre seu programa de compensação financeira e apoio à realocação em junho de 2022. O trabalho visará como principais resultados a Braskem, após explorar o subsolo de Maceió colhendo avidamente um bem natural, gerando valor para os acionistas e repassando os custos dos danos socioambientais à Administração Pública, em última instância, à sociedade, procurou encobrir sua responsabilidade na causa do desastre por meio de uma política do silêncio. A empresa utiliza a designação “fenômeno geológico” produzindo um discurso no qual os cinco bairros da capital alagoana foram atingidos por um fenômeno natural, inesperado e desvinculado da mineração desastrosa do sal-gema. Tenho como conclusões que o discurso da Braskem reduz o maior crime socioambiental em área urbana, em curso no planeta, a um evento da Natureza. Está presente no funcionamento discursivo, não somente a omissão diante da autoria do crime, mas a utilização do discurso para atenuar a gravidade dos fatos. Da posição de causadora do desastre, a Braskem se torna apenas mais uma parte interessada, que envida esforços para mitigar os efeitos de um fenômeno geológico

  • Dinheiro, fé e ansiedade no discurso teológico de prosperidade

    A teologia da prosperidade produz um discurso de responsabilização de Deus em relação à vitória almejada pelos fiéis. Deus é dono de todo ouro e de toda prata. Exigir, perseverar e esperar é meta de todo crente. A religião deve atuar como baluarte da luta de uma conquista e, ser vitorioso, é “chegar lá”, “vencer” e testemunhar a realização da promessa do Deus da abundância. A imagem da fé como “moeda” de Deus expressa como a teologia da prosperidade negocia a relação do homem com as coisas divinas. Trabalhar cotidianamente pela prosperidade, sobretudo financeira, faz apertar o coração e suar as mãos daqueles que dizem ter certeza de que seu Deus não falhará. A máquina neopentecostal produz ansiedade religiosa, pois a relação da vida particular do simples fiel com suas metas transcendentes causa-lhe uma ansiedade que não é amiga. De olho na quantidade, o que fazer se nada conquistar? Como acalmar o coração acelerado que não vê a hora dos céus derramarem toda a promessa do criador? Os templos em seu dia a dia estão à flor da pele

  • Editorial - tudo outra vez: os movimentos sociais e o terceiro mandato de Lula

    O contexto não é dos mais fáceis para os movimentos sociais das classes trabalhadoras das cidades e do campo. São sete anos seguidos de retrocessos sociais e político-institucionais. A vitória eleitoral do PT e aliados sobre a perspectiva fascista é um alívio, mas não significa a derrota da extrema direita e sua expressão atual, o bolsonarismo, como manifestação dos interesses mais egoístico-corporativos dos de cima. Desafogo também tivemos nós dos Cadernos do Ceas, que conseguimos superar agora definitivamente, acreditamos, mais um problema técnico com a nossa plataforma digital, finalmente atualizada e funcionando normalmente. Como todos os democratas se sentem leves pela derrota do 08 de janeiro, nós editores e colaboradores desta revista, sentimo-nos duplamente aliviados, pela derrota do golpe dado pela extrema direita em 08 de janeiro de 2023 e pela retomada dos Cadernos. Seguimos, todos, vivos e firmes, prontos para seguir peleando, e agora publicando a edição n. 257, do v. 48, correspondente ao último quadrimestre de 2022. Devido a este atraso, foi possível vivenciar os primeiros 180 dias do novo governo e perscrutar as perspectivas das lutas sociais futuras à moda de editorial

  • Articulação rurais - urbanos e movimentos sociais no cenário baiano da 1ª década do séc. XXI

    O artigo discute os movimentos sociais na primeira década do século XXI, no cenário dos governos petistas no Brasil (2003-2010) -- e “carlista” na Bahia (2000-2010), seguido por governos do PT --, a partir de uma caracterização socioeconômico baiana. O objeto de discussão é recortado do contexto mais amplo das mobilizações sociais, tendo como foco a experiência da Articulação de Movimentos Sociais Rurais e Urbanos. Esta Articulação conseguiu envolver em ações massivas na capital e no interior um conjunto de organizações do campo popular, unificando pautas de reivindicações urbanas e rurais; conformou um sujeito social coletivo, de caráter horizontal, em período marcado pela fragmentação dos atores sociais, e talvez por isso teve sua existência abreviada

  • O assédio eleitoral nas eleições presidenciais de 2022 no Brasil: violência no trabalho e nas ruas

    A eleição presidencial de 2022 no Brasil foi marcada por uma disputa acirrada e com um número recorde de denúncias de assédio eleitoral, envolvendo muitas empresas que tentaram impor a seus empregados o seu candidato. Durante o período pré-eleitoral de definição de candidatos e na campanha eleitoral, se viveu uma verdadeira guerra, patrocinada pela extrema direita, que se utilizou de todos os instrumentos e recursos possíveis para impedir a vitória da oposição. Esse artigo tem por objetivo analisar quantitativa e qualitativamente o assédio eleitoral nas eleições presidenciais de 2022, como um dos tipos de assédio moral, a partir da análise da atuação do Ministério Público do Trabalho através dos instrumentos utilizados como os Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), Recomendações e Ações Civis Públicas do MPT, além de outras fontes como imprensa, sites de jornais e sindicatos. As informações obtidas revelaram o grau de desespero e de violência de vários setores do empresariado brasileiro, destacadamente, o agronegócio, grandes empresas de comércio atacadista e varejista e uma miríade de micro e pequenas empresas comerciais e de serviços, diante da possibilidade de vitória de Lula nas eleições. A atuação do MPT, através de campanhas de esclarecimento, de uma especial organização interna e da celeridade nas decisões judiciais foi fundamental, juntamente com “agentes fiscalizadores” como sindicatos e cidadãos que agiram em defesa da democracia

  • O governismo em cena: notas preliminares sobre a influência dos prefeitos na eleição ao governo estadual da Bahia em 2022

    O objetivo deste artigo é analisar o peso e a prevalência do apoio de prefeitos para a eleição de governadores, com ênfase no caso do estado da Bahia em 2022. Para isso, será analisado tal apoiamento realizado por meio de dados primários decorrentes de mapeamento feito ao final das convenções partidárias e resultado nas urnas em primeiro e segundo turno nas eleições no estado. A conclusão com base no levantamento feito com os 417 prefeitos baianos é a de que o apoio dos líderes municipais pode ser um fator importante em uma eleição a governador. Ademais, é fundamental nas estratégias eleitorais por parte das candidaturas a governador, sobretudo em uma eleição extremamente equilibrada. No entanto, a despeito das coligações formais para o cargo de governador, as posições dos partidos não são, necessariamente, seguidas por seus prefeitos, muitos impactados pela força do pleito federal e/ou pela lógica governista do peso do partido do governador na ordem estadual junto aos prefeitos

  • Que 2022 enterre a ameaça antidemocrática
  • A construção histórica do 'excedente' de trabalhadores e a institucionalidade das políticas sociais, no Brasil

    Esse artigo recompõe as condições históricas de iniquidade da estrutura social brasileira e demonstra como as reformas antidemocráticas do presente agravam as condições de reprodução social de inúmeros trabalhadores e suas famílias, num patamar de vulnerabilidade social crescente. Analisa como o padrão histórico, hierarquizado e autoritário, da sociedade colonial reproduz uma inércia de segmentação social no usufruto dos direitos, o que demonstra que as desigualdades sociais são também resultado da política. Apresenta os ciclos mais recentes da agenda política pública brasileira, de forma a entender como as reformas sociais antidemocráticas rompem com o liberalismo social prevalecente, agravando o padrão das desigualdades sociais, no País. Essa ampliação das desigualdades resulta de uma violência institucional do Estado na desconstrução dos pilares civilizatórios da cidadania social, no Brasil, em favor de uma remercadorização radical da sociedade.

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