Revista Katálysis

vLex
Editora:
Universidade Federal de Santa Catarina
Data de publicação:
2011-03-11
ISBN:
1982-0259

Descrição:

A Revista Katálysis destina-se à publicação de trabalhos sobre assuntos atuais e relevantes no âmbito do Serviço Social, áreas afins e suas relações interdisciplinares. Cada edição focaliza uma unidade temática, previamente definida pela Comissão Editorial, tendo em vista sua importância dentro do contexto social contemporâneo, mas abre espaço também para trabalhos que tratem de outros assuntos.

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Documentos mais recentes

  • O toque de Midas: análise materialista da Teoria Marxista do Fetichismo

    A teoria marxista do fetichismo fundamenta muitas críticas ao modo de produção capitalista nos mais distintos espectros políticos. Mesmo no seio do marxismo, todavia, essa teoria é cercada de controvérsias e divergências. No presente texto, buscamos resgatar seus fundamentos e apresentar nossa compreensão sobre seus dois elementos essenciais, a partir do que é exposto por Marx diretamente sobre o tema. Desse confronto, evidenciamos o distanciamento das interpretações mais renomadas e os impactos teórico-políticos decorrentes desse afastamento. Com isso, resgatamos os fundamentos teóricos, históricos e políticos da teoria marxista do fetichismo e sua centralidade na crítica marx-engelsiana

  • Crítica à alegoria tecnofeudal: plataformas digitais, valor e fetichismo no capitalismo contemporâneo

    O artigo analisa criticamente a tese do tecnofeudalismo, que propõe a emergência de um novo modo de produção centrado na dominação algorítmica das plataformas digitais. Adota-se como método a análise imanente das obras de autores como Varoufakis, Durand e Dean, confrontadas com a crítica da economia política marxiana. O estudo investiga se essas formulações não incorrem em fetichismo teórico ao tomarem formas aparentes de dominação como rupturas com os fundamentos do capitalismo. Os resultados apontam que, longe de substituírem a exploração do trabalho e a produção de mais-valor, as plataformas digitais intensificam formas historicamente desenvolvidas do capital comercial, portador de juros e fictício. Conclui-se que as categorias marxistas permanecem fundamentais para compreender a lógica da valorização do valor no capitalismo contemporâneo e que a alegoria tecnofeudal obscurece, em vez de esclarecer, os mecanismos atuais de espoliação do trabalho

  • Capitalismo dependente e saneamento: análise da trajetória da Copasa

    O artigo analisa criticamente a trajetória da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) como expressão das contradições estruturais do saneamento básico no contexto do capitalismo dependente brasileiro. Com base na Teoria Marxista da Dependência e no método histórico-estrutural, a pesquisa articula teoria crítica, levantamento documental e entrevistas com gestores da Copasa para compreender a forma institucional do saneamento como parte das condições gerais de reprodução do capital nas formações periféricas. Os resultados revelam que a financeirização da Copasa — gestada no Planasa, nos anos 1970, e aprofundada com a abertura de seu capital acionário — subordina a universalização do saneamento às exigências de valorização financeira, convertendo direitos sociais em ativos rentáveis. Conclui-se que a efetivação dos direitos humanos à água e ao esgotamento sanitário é condicionada por mediações estruturais que articulam dependência, herança autoritária e racionalidade mercantil, exigindo abordagens críticas que superem leituras técnico-normativas e enfrentem os fundamentos materiais da desigualdade no acesso ao saneamento

  • "Techné": reflexões sobre a tecnologia à luz da crítica da economia política

    O artigo ora apresentado parte do chão contraditório da sociabilidade burguesa madura e objetiva lançar luz sobre os estudos da tecnologia a partir da crítica da economia política no tempo presente. O texto trata da tecnologia enquanto resultado coletivo das forças produtivas e evidencia, historicamente, a apropriação privada do capital sobre os bens tecnológicos. As aproximações sucessivas com a pesquisa bibliográfica revelam que as tecnologias de informação e comunicação (TICs) aparecem no lastro do real como mecanismos potencializadores da velha/nova exploração e controle sobre o trabalho e a vida social, cuja primazia é a valorização constante do valor

  • Estado e financeirização dependente no Brasil: implicações das debêntures de infraestrutura

    Nas últimas décadas, crescem debates críticos que problematizam as relações entre natureza, sociedade e economia, com destaque para a transição energética e a lógica financeira. Nessa perspectiva, o presente trabalho discute as reconfigurações do Estado no aprofundamento da financeirização, a assumir um caráter dependente no Brasil, investigando implicações das debêntures de infraestrutura. Para tanto, realizou-se uma seleção da literatura especializada nacional e estrangeira, aliada à coleta e análise de dados documentais secundários. Com base na discussão efetuada, compreende-se que a consolidação de políticas neoliberais reconfigura os sentidos do financiamento do Estado brasileiro no setor da infraestrutura material, por meio da emissão de debêntures, a diminuir o papel do BNDES e ampliar o protagonismo de agentes financeiros privados na transição energética brasileira, subordinando os espaços naturais e construídos locais às exigências da acumulação financeira mundializada

  • A reforma gerencial do Estado brasileiro e suas repercussões na estrutura e atendimento do INSS

    O presente artigo tem como objetivo analisar como as mudanças gerenciais do Estado brasileiro, a partir da década de 1990, impactaram a estrutura organizacional do INSS e seu modelo de atendimento. A partir de uma revisão de literatura sobre a temática e de análise documental, o trabalho busca recuperar elementos acerca da redefinição das funções do Estado capitalista, impulsionada pela crise estrutural deflagrada nos anos 1970 e pela contrarreforma do Estado brasileiro. No âmbito das contrarreformas administrativas e previdenciárias, o artigo recupera brevemente as principais transformações gerenciais e tecnológicas vivenciadas pelo INSS até a implantação do projeto INSS-Digital

  • Benefício de Prestação Continuada: barreiras de acesso pela renda (2011–2022)

    Este artigo analisa o impacto do critério de renda per capita como barreira ao acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), com base em dados de requerimentos administrativos entre 2011 e 2022. A pesquisa revela que a aplicação literal desse critério, sem considerar a real situação de vulnerabilidade, exclui parcela significativa da população potencialmente elegível, contrariando os objetivos constitucionais de erradicação da pobreza e promoção da dignidade humana. Os dados do INSS indicam que o critério de renda foi responsável, em média, por quase 30% dos indeferimentos do BPC no período analisado. Medidas como a obrigatoriedade de inscrição no CadÚnico e a digitalização dos requerimentos também dificultaram o acesso, especialmente para a população de baixa renda. O estudo conclui que é urgente revisar e flexibilizar os critérios de elegibilidade, para que o BPC cumpra efetivamente seu papel como política pública voltada à redução das desigualdades sociais e ao combate à pobreza

  • Benefícios eventuais na realidade brasileira: o convívio da benesse com o direito

    Este artigo apresenta uma análise sobre como os benefícios eventuais no Brasil têm suas origens marcadas e tensionadas por determinações estruturais da formação social brasileira. O estudo se pauta em análises bibliográficas e documentais, fundamentado à luz do materialismo histórico-dialético. Analisa-se que o processo de normatização e operacionalização desses benefícios enfrenta desafios vinculados ao continuísmo de elementos que antecedem sua consolidação como direito, como o clientelismo e o assistencialismo — traços característicos da cultura política conservadora e da conformação histórica da assistência social em contexto de capitalismo dependente. O resultado disso é uma concessão de frágil identidade com a perspectiva de garantia de direitos da Política de Assistência Social

  • Do diagnóstico à convivência com o HIV: percepções de homens no cárcere

    Este trabalho busca compreender como homens privados de liberdade que vivem com HIV/AIDS numa penitenciária do semiárido nordestino convivem com a doença desde o seu diagnóstico. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e exploratória, desenvolvida com 11 homens privados de liberdade entre os meses de junho e julho de 2024. Como instrumento da coleta de dados, foi utilizada a entrevista semiestruturada, com os dados transcritos e analisados à luz da análise de conteúdo. Sentimentos como medo e angústia foram relatados desde o momento do diagnóstico, reverberando nas suas vivências atuais com o HIV. Elementos como a fé, obtenção de conhecimento e apoio da família se mostraram importantes no processo de aceitação da doença. Apesar de as prisões configurarem-se ambientes nocivos para a manutenção da saúde, boa parte dos relatos não reconhece influências deste ambiente na vivência com o HIV, retratando o acompanhamento em saúde recebido como eficaz

  • A persistência das iniquidades raciais no ingresso de servidores nas universidades federais

    Este artigo propõe uma análise sobre a política de cotas raciais para ingresso de servidores nas universidades federais, discutindo os limites da aplicação e da eficácia da Lei nº 12.990/2014. Para tanto, realiza-se levantamento bibliográfico sobre o campo de estudos de ações afirmativas, com destaque às políticas de cotas no serviço público, cotejando-o com referencial teórico sobre estudos étnico-raciais no país. Apresentamos, por fim, um levantamento de dados raciais e de gênero de servidores/as, disponibilizados por cinco universidades federais em seus sites oficiais. Os resultados demonstram que as pessoas brancas são sobrerrepresentadas em todas as instituições pesquisadas, sobretudo entre docentes, mas também, em menor grau, entre os técnicos-administrativos. O dado racial cruzado pelo gênero revelou a presença ínfima de mulheres negras entre docentes, em percentuais que são inferiores a 5% dessa categoria, figurando entre as mais sub-representadas no interior dos dois grupos já sub-representados: mulheres e negros

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