BALANÃ?O - Terra Santa Agro S.A

Data de publicação17 Março 2021
quarta-feira, 17 de março de 2021 Diário Of‌i cial Empresarial São Paulo, 131 (51) – 101
continua …
Terra Santa Agro S.A.
CNPJ/MF nº 05.799.312/0001-20
1. Aos Acionistas: Atendendo às disposições legais, a Administração da Terra Santa Agro S.A. – “Terra Santa”
ou “Companhia” – tem a satisfação de apresentar o Relatório da Administração e as Demonstrações Financeiras
da Companhia referentes ao exercício social findo em 31/12/2020, em comparação com o exercício de 2019. As
demonstrações financeiras consolidadas foram preparadas conforme as práticas contábeis adotadas no Brasil (BR
GAAP) incluindo os pronunciamentos emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e as normas
internacionais de relatório financeiro (International Financial Reporting Standards (IFRS), emitidas pelo Interna-
tional Accounting Standards Board (IASB)). 2. Sobre a Terra Santa Agro: A Terra Santa Agro é uma empresa
produtora de commodities agrícolas, com foco na produção de soja, milho e algodão. Possui 7 unidades de produ-
ção estrategicamente localizadas no estado brasileiro do Mato Grosso, por este apresentar condições favoráveis
ao agronegócio, totalizando uma área sob gestão de 131 mil hectares. Além disso, possui equipamentos e ativos
complementares à sua operação agrícola, como equipamentos agrícolas, unidades de armazenagem e algodoei-
ras. A Companhia tem suas ações negociadas no Novo Mercado da B3 – Brasil, bolsa, Balcão, nível mais alto de
Governança Corporativa da bolsa brasileira. 3. Mensagem da Administração: 2020 foi um ano de grandes trans-
formações para a Terra Santa Agro. No ano marcado pela pandemia mundial do COVID-19, em que praticamente
todos os setores da economia foram duramente impactados, o agronegócio se mostrou altamente resiliente. Em
um cenário muito atípico que une preços extremamente elevados das commodities agrícolas e Real muito desvalo-
rizado o nosso setor deve viver um dos melhores anos da sua história na safra 2021/22 e a Terra Santa Agro está
pronta e preparada para se beneficiar deste cenário econômico extremamente favorável. Nós sempre tivemos uma
visão de longuíssimo prazo, temos trabalhado para construir uma Companhia que durará para sempre. Nesse con-
texto, desde que nossos indicadores operacionais começaram a se despontar entre os melhores do setor, há alguns
anos, que nós começamos a preparar a Companhia para poder capturar oportunidades de crescimento e se figurar
como consolidadora em um mercado extremamente fragmentado e, ainda, pouco profissionalizado. Como nós já
temos uma estrutura altamente organizada, no mais alto nível de governança corporativa, faltava ainda estabelecer
uma cultura organizacional sólida e que colocasse as pessoas no centro, aumentar, ainda mais, a nossa rentabi-
lidade e resolver o problema do nosso alto nível de endividamento. A consequência desse trabalho foi o resultado
que pôde ser observado trimestre a trimestre em nossos Balanços e nossos releases. Assim, sempre pensando no
melhor para nossos stakeholders, em novembro nós decidimos assinar um Memorando de Entendimentos com a
SLC Agrícola, por meio do qual a SLC deverá incorporar as operações agrícolas da Terra Santa Agro. Esperamos,
com essa transação, resolver o problema do nosso endividamento que é tão danoso para nossa rentabilidade e
para o desempenho das nossas atividades operacionais e comerciais e assim melhorar as condições de trabalho
de todos os nossos colaboradores e, ao mesmo tempo, gerar valor para os nossos acionistas. Fazendo uma ana-
logia com o nosso negócio, a transação poderia ser vista como uma colheita antecipada dos frutos que viriam por
conta do estabelecimento de uma Companhia sólida, sofisticada, inovadora, com visão de futuro e que tem o foco
nas pessoas e o resultado como consequência. Nossas operações seguem acontecendo normalmente, a safra
2020/21 tem demandado constantes replanejamentos que se iniciaram com o atraso do plantio por causa da falta
de chuvas em outubro e continuaram por causa do aumento de 5 a 7 dias no ciclo da soja e pelo nível excessivo
de chuvas no final de fevereiro e início de março. A maneira como nós nos organizamos, de forma descentralizada
e colaborativa, nos ajudou a sermos ágeis e eficientes nas decisões que tomamos e o resultado foi um plantio de
algodão e de milho em uma janela muito melhor do que a média do Estado do MT, fator preponderante na definição
da produtividade. Em 2020, a operação da Terra Santa Agro apresentou sólido desempenho, alcançando o maior
EBITDA Ajustado de sua história, que totalizou R$ 222,5 milhões, com crescimento de 48,3% em relação a 2019.
Os bons resultados operacionais da safra 2019/20, com recordes de produtividades das culturas de soja e algodão,
aliado à desvalorização cambial que impactou positivamente os preços de venda, gerou um EBITDA Ajustado de
R$ 261,8 milhões, contra um EBITDA Ajustado de R$ 176,3 milhões, acumulado referente à safra 2018/19 até
dezembro de 2019. Já o nosso endividamento, apesar do forte resultado operacional, não apresentou redução
entre dezembro de 2019 e dezembro de 2020. A contrapartida foi um aumento na conta de estoque de algodão
(algodão em caroço, algodão em pluma, caroço e fibrilha), mensurado em R$ 261,0 milhões em dezembro de 2020,
contra R$ 183,5 milhões em dezembro de 2019. Com o aumento da área de algodão houve a extensão do período
de beneficiamento que nesta safra terminou em 03/02/2021, contra 15/01/2020 da safra passada e 17/01/2019 na
safra retrasada. Para finalizar, gostaríamos de agradecer a toda nossa equipe de colaboradores pelo engajamento
e empenho, aos nossos fornecedores e acionistas pela confiança e parceria ao longo desse 2020 tão intenso. Com
relação a 2021, seguimos confiantes no trabalho de nossa equipe, enquanto aguardamos a conclusão da transação
entre a Terra Santa Agro e a SLC, que criará uma gigante na produção de commodities agrícolas, além da criação
de uma empresa de terras, um novo marco na história da Terra Santa.
Relatório da Administração e Demonstrações Financeiras de 2020
4. Desempenho Financeiro 2020 2019 (Reapresentado) Variação %
(R$ Mil) SF 2018/19 SF 2019/20 SF 2020/21 Total SF 2017/18 SF 2018/19 SF 2019/20 Total
Receita Líquida 204.878 1.027.426 1.158 1.233.462 141.061 627.638 33.998 802.697 53,7%
Receita Líquida dos Produtos 196.460 774.811 971.271 113.019 605.507 718.526 35,2%
Hedge Accounting (9.981) (58.028) (68.009) (15.454) (108.020) (123.474) -44,9%
Avaliação do Ativo Biológico Apropriado à Receita 339.667 1.158 340.825 136.033 33.998 170.031 100,4%
Produto Agrícola Apropriado à Receita 18.399 (29.024) (10.625) 43.496 (5.882) 37.614
Custos de Produtos Vendidos (187.782) (758.416) (946.198) (167.169) (592.643) (759.812) 24,5%
CPV Produtos (127.666) (539.584) (667.250) (74.885) (486.845) (561.730) 18,8%
Realização Ativo Biológico Apropriado ao Custo (60.116) (218.832) (278.948) (92.284) (105.798) (198.082) 40,8%
Lucro Bruto 17.096 269.010 1.158 287.264 (26.108) 34.995 33.998 42.885
Despesas Operacionais (316) (28.031) (10.519) (38.866) (307) (27.209) (46.429) (73.945) -47,4%
Gerais, Administrativas (34.089) (3.967) (38.056) (25.578) (12.219) (37.797) 0,7%
Outras Receitas (Despesas) Operacionais 15.100 (2.740) 12.360 8.268 (31.518) (23.250)
Despesas com Armazenagem (7.063) (3.812) (10.875) (7.849) (2.692) (10.541) 3,2%
Despesas com Vendas (316) (1.979) (2.295) (307) (2.050) (2.357) -2,6%
Lucro Operacional – EBIT 16.780 240.979 (9.361) 248.398 (26.415) 7.786 (12.431) (31.060)
(+) Depreciação e Amortização 8.458 45.582 1.630 55.670 3.045 47.124 1.759 51.928 7,2%
Resultado Financeiro (312.205) (120.847) 158,3%
Receita Financeira 20.497 9.453
Despesa Financeira (156.010) (127.720)
Variação Cambial (83.969) 2.762
Derivativos – – – (92.723) – – – (5.342)
Lucro (Prejuízo) antes do IR e CS (63.807) (151.907)
IR e CSLL Diferido 6.959 17.188
Lucro liquido (Prejuízo) do período (56.848) (134.719)
EBITDA 25.238 286.561 (7.731) 304.068 (23.370) 54.910 (10.672) 20.868
Margem EBITDA 12,3% 27,9% -667,6% 24,7% -16,6% 8,7% -31,4% 2,6%
(+) Hedge Accounting 68.009 68.009 15.454 108.020 123.474 -44,9%
(+) Variação Cambial Operacional (1.646) (56.108) 13.234 (44.520) 2.008 (13.019) (1.265) (12.276) 262,7%
(+) Provisões não recorrentes e Impairment de ativos (6.145) (15.101) 2.741 (12.360) 760 (8.268) 31.518 23.250
(+) Derivativos, líquidos (6.145) (35.746) (50.832) (92.723) 760 (669) (5.433) (5.342)
EBITDA Ajustado 17.447 247.615 (42.588) 222.474 (5.148) 140.974 14.148 149.974 48,3%
Margem EBITDA Ajustada 8,1% 22,8% -3677,7% 17,1% -3,3% 19,2% 41,6% 16,2% 0,9 p.p
.
Os resultados contábeis da Companhia levam em consideração o resultado de duas safras distintas para análise
trimestral e de três safras distintas no acumulado no ano. O atual período de análise considera a safra corrente
(2020/21), que teve início em setembro e apesar de ainda não ter faturamento, já incorre em despesas; a safra
2019/20 e o estoque de passagem da safra 2018/19, esta última apenas para acumulado no ano. Para um melhor
efeito de comparação, passaremos a analisar o resultado por safra dentro do trimestre e acumulado no ano. As
aberturas por safra serão apresentadas até a linha de lucro bruto da DRE e para EBITDA e EBITDA Ajustado. Para
as demais linhas, continuaremos apresentando apenas os totais por período. Destacamos que o EBITDA, divulgado
desde o 1T20, leva em consideração a adoção do IFRS16 (CPC 06 (R2)), cujos efeitos no balanço patrimonial
foram o reconhecimento do direito de uso de ativos arrendados e o passivo de arrendamentos. No resultado, os
efeitos foram a substituição do custo/despesa de aluguéis e arrendamentos por depreciação do direito de uso dos
bens e juros sobre o passivo de arrendamento. Com isso, o EBITDA da Companhia aumenta, visto que os juros e
a depreciação não são considerados para o seu cálculo. Até 31 de dezembro, os efeitos do IFRS16 eram ajustados
como se esta norma não tivesse sido implementada, para permitir comparabilidade com o ano de 2018, no qual
o IFRS16 ainda não estava em vigor. A partir de 2020, passamos a divulgar o EBITDA com os efeitos do IFRS16,
comparando com EBITDA de 2019 na mesma metodologia. Adicionalmente, passaremos a ajustar os efeitos das
operações de derivativos. A Companhia efetuou ajustes nas informações contábeis correspondentes das demons-
trações do resultado do exercício findo em 31/12/2019, e dos fluxos de caixa do exercício findo nesta mesma data,
conforme nota explicativa 2.6, a saber: a) Registro contábil de “operações de performance” adquiridas pela
Companhia para cumprir com contratos de ACC/PPE: Os resultados obtidos com operações de performance
adquiridas pela Companhia estão sendo registrados como componente do resultado financeiro, pelo seu valor
líquido, na demonstração do resultado, associado ao cumprimento de compromissos de contratos de financiamen-
tos. Anteriormente, a Companhia reconhecia essas operações como se fosse o principal na operação de venda
e, consequentemente, reconhecia os efeitos dessas operações nas rubricas de receita líquida de vendas e custo
dos produtos vendidos, na demonstração do resultado, pelos montantes contratuais dos produtos embarcados e
custo de compra da operação de performance, respectivamente. b) Classificação dos gastos com fretes sobre
vendas na demonstração do resultado apresentada por função: Na avaliação da Companhia, os gastos com
fretes e despesas portuárias (fobbings) para o transporte e entrega no destino combinado com o cliente são custos
necessários para se cumprir com a obrigação de performance. Logo, devem ser componente do custo dos pro-
dutos vendidos (CPV), conforme previsto no CPC 47/IFRS 15 – Receita de Contratos com Clientes na seção de
“Custos para cumprir um contrato”. Anteriormente, esses gastos estavam registrados como despesas com vendas,
na demonstração do resultado. c) Imposto de Renda Diferido: Sobre o imposto de renda e contribuição social
diferidos, informamos na nota explicativa 11.1 das demonstrações financeiras que identificamos erros nas bases
de cálculo de anos anteriores, substancialmente corrigidos em 2020. Com isso, em 31/12/2020 o valor total dos
créditos diferidos monta em R$ 466.3 milhões, sendo R$ 437,3 milhões na controladora (dos quais R$ 98,4 milhões
não ativados) e R$ 29,0 na subsidiária TS Brasil. Além dos ajustes já efetuados, estamos ainda trabalhando na veri-
ficação de incorreções e retificação de obrigações acessórias e estimamos que o valor dos créditos não registrados
no ativo aumentará em, pelo menos, R$ 30,8 milhões. Após essas retificações, assim será compostos o saldo de
tributos diferidos sobre prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de contribuição social:
Prejuízo Fiscal e Base Negativa Terra Santa TS Brasil Total
Tributos diferidos ativados 338.958 29.016 367.974
Tributos diferidos não ativados em 2020 98.417 98.417
Tributos diferidos – em retificação 30.814 30.814
Tributos diferidos totais 468.189 29.016 497.205
O resultado operacional da Companhia na safra 2019/20 foi bastante sólido, mesmo com o advento da pandemia
do COVID-19. Ao longo do ano de 2020, executamos nosso planejamento agrícola de forma bastante eficiente e
conseguimos nos beneficiar dos altos preços da soja, algodão e milho, sobretudo por conta da desvalorização do
real frente ao dólar e demanda aquecida advinda, principalmente, da cadeia produtiva de suinocultura na China.
Assim, a Companhia registrou em 2020 a maior receita líquida de sua história, totalizando R$ 1,2 bilhão em 2020,
com crescimento de 53,7% sobre 2019. O EBITDA Ajustado foi de R$ 222,4 milhões, também o maior já reportado
pela Companhia, com crescimento de 48,3% e margem de 17,1%, 0,9 pontos percentuais acima de 2019. No
entanto, a mesma desvalorização do real que muito beneficiou as exportações de nossa produção, também afetou
nosso Resultado Financeiro, que totalizou uma despesa de R$ 312,2 milhões, 158,3% acima de 2019. O impacto
no Resultado Financeiro poder atribuído principalmente à Variação Cambial, que encerrou 2020 com uma despesa
de R$ 84,0 milhões contra uma receita de R$ 2,8 milhões em 2019, além dos Derivativos, que tiveram um saldo
negativo de R$ 92,7 milhões em 2020, frente a uma despesa de R$ 5,3 milhões em 2019. Diante disso, a Compa-
nhia apresentou um Prejuízo Líquido de R$ 56,8 milhões, ainda assim 57,8% menor que o prejuízo reportado em
2019. Cabe ressaltar que a safra 2020/2021, que impactará os resultados de 2020, está bem encaminhada, mesmo
com o atraso das chuvas no início da safra. Por conta desse atraso, nossa produção de soja deverá sensivelmente
menor que na safra anterior, porém estamos otimistas com relação a nossa safra de milho e, sobretudo, algodão.
5. Perspectiva de Mercado – Agronegócio: A pandemia do COVID-19 e as consequentes medidas de isolamento
social para sua contenção tiveram profundo impacto na economia brasileira em 2020. No entanto, enquanto prati-
camente todos os setores econômicos mostraram retração em 2020, o PIB do agronegócio apresentou uma alta
acumulada de 19,66% entre janeiro e novembro, em comparação ao mesmo período de 2019, conforme dados da
CNA/Cepea. Assim como todos os setores da economia, o agronegócio foi evidentemente afetado pela pandemia,
porém em diferentes graus em seus diversos segmentos. Segmentos como os de algodão, por exemplo, sofreram
fortes impactos negativos, principalmente no primeiro trimestre de 2020, quando ocorreu o auge da paralisação do
mercado interno e da crise sanitária em todo o mundo. Contudo, os segmentos do agronegócio que puderam contar
com o mercado externo foram altamente beneficiados pela grande desvalorização do real frente ao dólar no ano.
Há ainda segmentos do agronegócio que, circunstancialmente, com o aumento da demanda interna pelo efeito do
auxílio emergencial e pelas condições bastante favoráveis para exportação por preços recordes, acabaram regis-
trando resultados bastante positivos. A alta expressiva dos preços de soja e derivados ao longo de 2020 foi susten-
tada pela demanda doméstica, exportação e desvalorização cambial do real frente ao dólar. No cenário internacio-
nal, resquícios da guerra comercial entre EUA e China associados aos baixos níveis de estoques chineses também
ajudaram a impulsionar o fluxo das exportações brasileiras de soja no ano. As indústrias chinesas elevaram a
demanda pelos derivados da soja visando atender á crescente demanda do setor de proteína animal, que passa
por uma profunda reestruturação depois dos problemas sanitários derivados do surto de peste suína africana que
atingiu o país asiático. Cabe ressaltar também que a demanda interna brasileira esteve aquecida em 2020, estimu-
lada particularmente pelas cadeias produtivas de proteína animal. Consequentemente, o Brasil encerrou a tempo-
rada com os estoques de soja mais baixos em anos concomitantemente a novos recordes de preços alcançados.
Esse cenário estimulou os produtores a anteciparem as negociações da produção das duas próximas safras. Com
a safra spot praticamente toda negociada e as vendas antecipadas da soja da safra 2020/21 já superando mais da
metade do potencial produtivo para o novo ciclo, é de se esperar que alguns produtores já comecem a vender
antecipadamente parte da safra 2021/22, o que poderá dar suporte aos preços no Brasil no médio prazo, deixando
pouco espaço para quedas bruscas. De acordo com a IHS Market, a previsão para área plantada com soja no
Brasil para safra 2020/21 é projetada em 38,8 milhões de hectares, um aumento de 5% em relação à safra anterior.
O nível alcançado pelas vendas antecipadas de soja na nova safra e a possibilidade de rentabilidade recorde da
oleaginosa frente a culturas concorrentes dever gerar migrações entre culturas e expansão da área plantada com
a soja no Brasil. Em relação a produção, a IHS Market estima rendimentos alinhados à média histórica dos últimos
cinco anos desconsiderando quebras, o que sugere a colheita de 134,0 milhões de toneladas, com uma oferta 6%
maior que a safra passada. Essa estimativa está em linha com a da MB Agro, cuja estimativa inicial é de 133/135
milhões de toneladas de soja. Contudo, a ameaça do La Niña na safra 2020/21 tem gerado algumas incertezas com
relação ao potencial produtivo, uma vez que a característica do fenômeno climático é de chuvas abaixo da média.
A produção recorde no Brasil deverá ser acompanhada por um forte crescimento da demanda, sobretudo em fun-
ção de uma demanda potencialmente muito forte do setor de proteína animal. As exportações também sinalizam
um potencial de fluxo recorde, sobretudo pela demanda chinesa que permanece aquecida. Até novembro de 2020,
as exportações de soja totalizaram 88,9 milhões de toneladas. De acordo com a MB Agro, a previsão é que o valo
r
continue alto em 2021, porém a definição dependerá efetivamente do resultado da safra que está em desenvolvi-
mento. Com relação ao milho, os preços da commodity no mercado brasileiro atingiram níveis recordes, impulsio-
nados pela forte demanda doméstica bem como pelo ritmo intenso de exportações. Assim como no caso da soja,
o Ministério da Economia zerou a alíquota de importação do milho para conter a alta do preço dos alimentos, neste
caso, até 31/03/2021. Contudo, não houve maiores impactos no preço do cereal. O contínuo crescimento das
cadeias produtivas de proteína animal além da produção de etanol de milho no Brasil e a desvalorização do real,
criaram condições favoráveis a formação de preços atrativos. Nos últimos anos, a venda antecipada da segunda
safra de milho ganhou forte intensidade como forma de garantir preços ou mesmo de gerar recursos para financia-
mento da produção de soja. Neste ano, especificamente, o milho colhido nas lavouras de segunda safra chegou ao
mercado com nível recorde de vendas antecipada em função da maior atuação das tradings e indústrias de etanol
do Centro-Oeste. Por sua vez, o setor de proteína animal também viu a demanda do setor crescer através das
vendas externas e gradual retomada do consumo doméstico. O efeito disso foi uma maior disputa por lotes rema-
nescentes e ocorrência de cancelamentos de fluxo para o exterior visando atender a forte demanda doméstica.
Neste contexto, o fluxo de comercialização de milho segunda safra que será plantado em 2021 também ganha
destaque. Outro fator cada vez mais relevante é a ascensão da produção de etanol de milho, que elevou e transfor-
mou a demanda interna e traz renda aos produtores, sobretudo àqueles localizados no interior do país como é o
caso dos situados no Mato Grosso. Atualmente existem cinco usinas em funcionamento no Mato Grosso com o uso
total de milho na produção de etanol e outras oito usinas flex. Há a previsão da instalação entre 12 a 15 usinas (full
e flex) nos próximos anos nos estados do Mato Grosso, Goiás, Rondônia e Paraná. Atualmente, 4% da produção
nacional de etanol teve o milho como matéria prima. Este percentual deverá crescer significativamente nos próxi-
mos anos, fator que deve elevar ainda mais o consumo interno do cereal. O acelerado crescimento nas vendas
antecipadas do milho também sugere potencial de grande expansão da produção do cereal na temporada 2020/21,
com área recorde de 19,2 milhões de hectares plantados, aumento de 4% em relação à safra anterior e, com poten-
cial de produção recorde de 109,5 milhões de toneladas, 6% superior ao ciclo anterior. Na nova temporada, as
exportações brasileiras de milho devem contar também com a forte demanda da China. Diante da firme demanda
interna e externa, os preços do milho devem se manter em patamares bastante atrativos no novo ciclo. Quanto ao
algodão, a cadeia produtiva alcançou bons resultados na safra 2019/20, marcada por preços elevados, sustentados
por um fluxo recorde de exportações. As exportações compensaram os efeitos da queda da demanda doméstica
decorrentes da pandemia e das consequentes medidas de isolamento social que paralisou por tempo considerável
as confecções e o comércio de roupas A safra brasileira de algodão 2019/20 totalizou um recorde de mais de 3
milhões de toneladas de fibra produzidas, um crescimento expressivo de 8% frente ao ciclo anterior e, chegou ao
mercado, com cerca de 80% da produção comercializada, sendo a grande parte contratos fixados com o mercado
externo. O efeito cambial e a necessidade de garantir estoques na Ásia, mesmo frente aos efeitos da pandemia,
garantiram uma proteção aos produtores contra a volatilidade gerada pela crise econômica. A desaceleração da
comercialização antecipada da safra 2020/21 no Brasil, fez com que a venda de algodão saísse de níveis recordes,
convergindo para a média de 10 anos. O risco climático gerado pelo atraso das chuvas no Brasil na última primavera
tem gerado sinais de alerta. O estado do Mato Grosso, bem como Goiás, Mato Grosso do Sul e Rondônia, juntos
chegam a concentrar cerca de 75% da produção nacional, costumam semear algodão de segunda safra, logo após
a colheita da soja. O atraso das chuvas tem prejudicado a implantação das lavouras de soja nesses estados e, em
consequência, devem encurtar a janela ideal de plantio do algodão. Tais fatores já apontam para possibilidade de
retração na área plantada além do salto nos custos de produção e elevação dos estoques de passagem no Brasil.
Estes fatores apontam em uma estimativa inicial para uma provável redução de área plantada na safra 2020/21 da
ordem de 10%, de acordo com IHS Market. De qualquer forma, a escalada dos referenciais internacionais de volta
aos 60 centavos de dólar na bolsa ICE, a depreciação do real e as linhas de crédito voltadas para investimentos em
ampliação da capacidade de armazenagem deverão mitigar a redução da área plantada. 6. Governança Corpora-
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quarta-feira, 17 de março de 2021 às 02:12:08

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