Bioética de intervenção nos tempos da covid-19

AutorDora Porto
Ocupação do AutorBacharel em Antropologia, especialista em Bioética e doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB)
Páginas13-19
BIOÉTICA DE INTERVENÇÃO
NOS TEMPOS DA COVID-19
Dora Porto
Bacharel em Antropologia, especialista em Bioética e doutora em Ciências da Saúde
pela Universidade de Brasília (UnB), foi assessora da Presidência do Conselho Fe-
deral de Medicina de 2007-2019, desempenhando a função de editora cientíca da
Revista Bioética. Entre 2005 e 2008 iniciou e atuou também como primeira editora
executiva da Revista Brasileira de Bioética da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB),
participando atualmente seu Conselho Editorial bem como do board da Revista da
Redbioética Unesco. Colabora como ad hoc com as revistas História, Ciências,
Saúde ? Manguinhos e Saúde em Debate (Cebes). Foi vice-presidente da SBB, gestão
2007/2009. A partir de 2002 desenvolveu a base teórica da Bioética de Intervenção,
proposta para uma bioética autóctone voltada à dimensão social. Elaborou e minis-
trou em 2008 a disciplina Reexões Bioéticas, nos cursos de Especialização Latu
Sensu em Bioética, da FS/UnB e entre 2010-2019 elaborou e ministrou a disciplina
Bioética, na Especialização Latu Sensu em Engenharia Clínica, na UnB. Assessora
da Rede Latino-americana e do Caribe de Bioética da Unesco (Redbioética) desde
2005, integra atualmente seu Conselho Diretivo. É pesquisadora, consultora e avalia-
dora de programas na área da saúde, com ênfase em antropologia urbana e gênero,
trabalhando principalmente os seguintes temas: direitos humanos, saúde, bioética,
desigualdade social e economia de mercado.
Sumário: 1. Introdução. 2. A medida ótima. 3. Coletividade. 4. Emergindo do “mergulho no
esgoto”. 5. Referências.
Mal escapo à fome
Mal escapo aos tiros
Mal escapo aos homens
Mal escapo ao vírus
Passam raspando
Tirando até meu verniz
Gilberto Gil1
1. INTRODUÇÃO
A Bioética de Intervenção surgiu como uma proposta voltada a aplicar o utilitarismo
como parâmetro ético para adoção de políticas públicas, com o objetivo de promover de
fato a igualdade de direitos. Baseando-se no utilitarismo clássico previa que as medidas
tomadas para as ações sociais e as políticas de saúde atingissem o maior número de pessoas
pelo maior tempo possível, produzindo os melhores resultados. Essa def‌inição inicial
foi paulatinamente sendo aprimorada depois que se percebeu que sob a ótica distorcida
dos regimes totalitários a exterminação de pessoas ou grupos diferentes, como ocorreu
1. Gil G. Feliz por um triz. Raça humana (álbum); 1984.

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