Medios y necropoder: una instancia pedagógica del escenario de la muerte
| Pages | 146-176 |
| Date | 01 January 2025 |
| Published date | 01 January 2025 |
| Author | Henrique Ferreira da Silva,Ricardo Willy Rieth,Deivison Moacir Cezar de Campos |
| Subject Matter | Ciencias sociales |
ARTIGO
Cadernos do CEAS, Salvador/Recife, v. 50, n. 264, p. 146-176, jan./abr. 2025 | ISSN 2447-861X
MÍDIA E NECROPODER: UMA INSTÂNCIA PEDAGÓGICA DO
CENÁRIO DE MORTE
Media and necropower: a pedagogical instance of the death scenario
Henrique Ferreira da Silva
Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, Brasil.
Ricardo Willy Rieth
Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), Canoas, RS, Brasil.
Deivison Moacir Cezar de Campos
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-
RS), Porto Alegre, RS, Brasil.
Informações do artigo
Recebido em 23/10/2024
Aceito em 17/06/2025
doi>: https://doi.org/10.25247/2447-861X.2025.n264.p146-176
Copyright (c) 2025 Henrique Ferreira da Silva, Ricardo Willy
Rieth, Deivison Moacir Cezar de Campos.
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Como ser citado (modelo ABNT)
SILVA, Henrique Ferreira da; RIETH, Ricardo Willy; CAMPOS,
Deivison Moacir Cezar de. Mídia e necropoder: uma instância
pedagógica do cenário de morte. Cadernos do CEAS: Revista
Crítica de Humanidades. Salvador/Recife, v. 50, n. 264, p. 146-
176, jan./abr. 2025. DOI: https://doi.org/10.25247/2447-
861X.2025.n264.p146-176
Resumo
As representações midiáticas frequentemente associam a população
negra a comportamentos violentos ou marginalizados, reforçando a
ideia de criminalidade e justificando a atuação policial como uma
resposta necessária. Essa construção social não apenas desumaniza
os jovens negros, mas também contribui para um ciclo de opressão
que se manifesta em políticas públicas e práticas policiais. Este texto,
recorte da pesquisa de Mestrado, visa compreender as narrativas
midiáticas sobre ser jovem negro presentes no Portal G1 - sob a
perspectiva da “Pedagogia de Morte e Resistência” (Silva, 2024).
Foram reunidas 14 matérias do Portal, abordando o assassinato de
jovens negros pelas polícias do Rio de Janeiro, considerado-o um
território em disputa, marcado pelo necropoder (Mbembe, 2018).
Amparados nos Estudos Culturais em Educação, utilizo o conceito de
dispositivo pedagógico da mídia (Fischer, 2007) para apontar os
espaços midiáticos como lócus de produção e circulação de
conhecimento. A metodologia se baseou na análise cultural,
tratando as notícias como artefatos que moldam a “realidade”. As
análises destacam o cotidiano das juventudes negras e sua relação
com a morte, evidenciando como a mídia naturaliza os assassinatos.
Aponta também como a “linguagem de ausências” impede a
conexão dos assassinatos com um contexto de genocídio, ao ocultar
a raça como marcador. Além disso, verifica-se que a estratégia de
seleção ou omissão de imagens publicizadas não é ingênua, uma vez
que atua perpetuando estereótipos. No entanto, há espaço para
contra-representações, especialmente através das vozes das
famílias das vítimas e da comunidade que se reverberam a partir das
brechas do cenário necropolítico.
Palavras-chave: Pedagogias de Morte e Resistência; Estudos
Culturais; Necropolítica; Pedagogia da Mídia.
Abstract
Media representations frequently associate Black populations with
violent or marginalized behaviors, reinforcing the notion of
criminality and justifying police action as a necessary response. This
social construction not only dehumanizes young Black individuals
but also contributes to a cycle of oppression manifesting in public
policies and policing practices. This text, an excerpt from a Master's
research project, aims to understand media narratives about being a
young Black person as presented on the G1 news portal, through the
lens of what I term the “Pedagogy of Death and Resistance” (Silva,
2024). Fourteen news articles from the portal were analyzed,
focusing on the killing of young Black individuals by the police in Rio
de Janeiro, a territory regarded as c ontested and marked by
necropower (Mbembe, 2018). Grounded in Cultural Studies in
Education, I employ the concept of the media's pedagogical
apparatus (Fischer, 2007) to identify media spaces as loci of
knowledge production and circulation. The methodology is based on
cultural analysis, treating news stories as artifacts that shape
"reality." The analyses highlight the everyday experiences of Black
youth and their relationship to death, revealing how the media
normalizes these killings. It also demonstrates how the “language of
absences” prevents connecting these murders to a context of
genocide by concealing race as a significant marker. Furthermore, it
is evident that the strategy of selecting or omitting publicized
images is not neutral, as it perpetuates stereotypes. However, there
is room for counter-representations, particularly through the voices
of victims' families and the community, which resonate through the
cracks in the necropolitical landscape.
Keywords: Pedagogys of Death and Resistance; Cultural Studies;
Necropolitics; Media Pedagogy.
Cadernos do CEAS, Salvador/Recife, v. 50, n. 264, p. 146-176, jan./abr. 2025
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Mídia e necropoder: uma instância pedagógica ... | Henrique F. da Silva, Ricardo W. Rieth, Deivison M. C. de Campos
APONTAMENTOS INICIAIS
A representação do corpo negro no contexto midiático esteve, por longo tempo,
associada a uma posição subalterna e marginalizada. Tal construção é, em parte, decorrente
de campanhas publicitárias e produtos audiovisuais, como telejornais e telenovelas, que
reproduzem e disseminam essas imagens. A análise das representações de jovens negros
vítimas de violência policial em um portal de notícias permite explorar o conceito proposto
por Hall (2016) de “regimes de racialização dos corpos”, elucidando como essas produções
midiáticas podem tanto reforçar quanto contestar os lugares sociais instáveis e voláteis que
são, de maneira sistemática, atribuídos às juventudes negras e periféricas no Brasil.
A mídia, como instituição de regulação social, desempenha um papel importante na
perpetuação das desigualdades (Sodré, 2015, p. 152). A produção midiática, desta maneira,
reforça a valorização das características eurocêntricas, reaf irmando o simbolismo d a
ideologia do branqueamento (Souza et al., 2015, p. 8). Barbero e Rey (2004) argumentam que
os rostos exibidos na televisão não refletem a realidade, mas são moldados pelos interesses
econômicos e políticos que sustentam essa mídia.
A crítica às sub-representações das identidades sociais, conforme apontado por Freire
(2004), é uma questão explorada pelos Estudos Culturais desde a d écada de 1960. Segundo
o autor, as distorções nas representações dificultam o avanço democrático, pois contribuem
para a “manutenção e [...] reprodução das relações de poder, desigualdade e exploração”
(2004, p. 47). Nesse contexto, Zilda Martins (2011) afir ma que a mídia exclui a imagem da
pessoa negra como sujeito singular ao vinculá-la, predominantemente, a representações de
criminosos ou suspeitos. Essa imagem negativa, amplificada pela mídia, natu raliza
preconceitos contra a população negra brasileira, favorecendo a “aceitabilidade” do fazer
morrer, conforme discutido por Mbembe ((2018) em seus estudos sobre necropolítica.
Considerando o contexto apresentado, este estudo reflete sobre o papel do estatuto
pedagógico da mídia no que diz respeito aos mecanismos que promovem o que Silva (2024)
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