Microeconomia

AutorAri Francisco de Araujo Jr. e Claudio Djissey Shikida
Ocupação do AutorMestre em Economia pela UFMG/Doutor em Economia pela PPFE-UFRGS
Páginas33-70
2
MICROECONOMIA
Ari Francisco de Araujo Jr.
Mestre em Economia pela UFMG. Graduado em Economia pela USP. Professor dos
cursos de Economia e Administração de Empresas do Ibmec Minas. Pesquisador do
Centro de Economia Aplicada da mesma instituição. Diretor da Revista Associação
Mineira de Direito e Economia –AMDE. Economista.
Claudio Djissey Shikida
Doutor em Economia pela PPFE-UFRGS. Mestre em Economia pela IPE-USP. Professor
de Economia do Ibmec Minas Gerais. Pesquisador do Centro de Economia Aplicada e
coordenador do Núcleo de Estudos de Política Monetária – NEPOM. Diretor cientíco
da Associação Mineira de Direito e Economia – AMDE. Economista.
Sumário: 1. Introdução – 2. Teoria do Consumidor e Demanda; 2.1. Restrição Orçamentária
do Indivíduo; 2.2. Preferências do Indivíduo; 2.3. Escolha Ótima; 2.4. Alterações na Renda;
2.5. Alterações de Preço; 2.6. Construindo a Curva de Demanda do Consumidor – 3. Teoria da
Empresa Competitiva e Oferta; 3.1. Algumas Denições Importantes; 3.2. Objetivo da Empresa:
Maximização de Lucro; 3.3. Construindo a Curva de Oferta de uma Empresa Individual – 4. Mo-
delo de Oferta e Demanda: Entendendo o Mercado; 4.1. Demanda de Mercado; 4.2. Demanda
de Mercado: Determinantes, Construção e Alterações; 4.3. Oferta de Mercado; 4.4. Oferta de
Mercado: Determinantes, Construção e Alterações; 4.5. Equilíbrio de Mercado; 4.6. Alterações
do Equilíbrio; 4.7. Elasticidade; 4.8. Estudo de Caso: Efeitos do Salário Mínimo sobre Mercado
de Trabalho – 5. Outros Tipos de Mercados (Monopólio); 5.1. Monopólio – 6. Externalidades,
Bens Públicos e o Teorema de Coase; 6.1. Externalidades e suas possíveis soluções; 6.2. Bens
Públicos; 6.3. Problema do Carona; 6.4. Tragédia dos Comuns – 7. Referências Bibliográcas
1. INTRODUÇÃO
Ao se iniciar o estudo de Economia uma condição necessária, mas não suf‌iciente
(é necessário um pouco de esforço!), é a absorção de alguns conceitos/hipóteses ini-
ciais e, uma importante hipótese é a que os indivíduos seriam racionais. Esta hipótese
apenas af‌irma que os indivíduos possuem um entendimento amplo dos fenômenos
econômicos e usam toda a informação disponível para tomar suas decisões. Em outras
palavras, diante de várias possíveis opções de ação, indivíduos ponderam o custo e
o benefício de cada uma, optando pela que lhes fornece o maior benefício líquido.
Mas não signif‌ica que indivíduos não “erram” ao tomar suas decisões. Problemas de
assimetria de informações, por exemplo, podem levar a equívocos.
Os custos e benefícios de uma ação são o que chamamos de incentivos e, por-
tanto, é fácil perceber que a racionalidade é uma forma de se reagir aos incentivos:
diante de distintas opções, escolhe-se a que representa o maior benefício líquido.
Este é o tema principal deste capítulo.
EBOOK DIREITO E ECONOMIA NO BRASIL 4ed.indb 33EBOOK DIREITO E ECONOMIA NO BRASIL 4ed.indb 33 25/02/2021 18:59:1425/02/2021 18:59:14
ARI FRANCISCO DE ARAUJO JR. E CLAUDIO DJISSEY SHIKIDA
34
2. TEORIA DO CONSUMIDOR E DEMANDA
Um advogado com vários processos precisa alocar seu tempo da “melhor forma pos-
sível”, af‌im de, digamos, levantar uma quantidade do vil metal suf‌iciente para pagar suas
contas e, quem sabe, viajar no f‌inal de semana. Se fosse feita uma rápida pesquisa entre
os advogados, descobriríamos que a expressão “da melhor forma possível” corresponde
ao famoso “tempo é dinheiro”. A ordem dos processos na mesa do advogado seguirá suas
expectativas quanto ao uso ef‌iciente de seu tempo. Obviamente, um iniciante na prof‌issão
poderá cometer erros, mas, espera-se, estes erros diminuirão ao longo do tempo.
A “melhor forma possível”, como se vê, tem a ver com o conceito econômico
de ef‌iciência. Esta, por sua vez, é ligada ao conceito de custo de oportunidade que,
f‌inalmente, diz respeito às escolhas que temos, entre oportunidades que nos surgem
em diversos momentos da vida. No exemplo acima, o advogado ordernará os pro-
cessos de forma a aproveitar da melhor forma possível seu tempo para obter a maior
remuneração possível com seu trabalho.
Todos nós enfrentamos dilemas (também chamados de tradeoffs) semelhantes:
o que fazer hoje? Trabalhar ou descansar? Vamos à festa de família ou ao futebol?
Cada escolha tem um custo. Se trabalho uma hora a mais hoje, deixo de descansar
uma hora. Se escolho, como o faço? A resposta, na Teoria Econômica, é que você o
faz de maneira a obter o maior ganho possível, dentro de suas limitações e restrições
que lhe são impostas pelo meio.
A Teoria da Decisão (ou da Escolha) considera os dilemas enfrentados por pessoas
quando demandam ou quando ofertam algum bem ou serviço. Note que estes “bens
ou serviços” podem ser tangíveis como charutos ou uísque, mas também podem
dizer respeito a bens intangíveis como amor e lealdade.
Nesta seção, analisamos o processo de escolha do ponto de vista dos que, em
situações propícias a trocas (voluntárias), demandam alguma coisa. Trata-se da Te -
oria do Consumidor. De forma sintética, nesta teoria, indivíduos buscam maximizar
sua satisfação (utilidade) sempre respeitando a capacidade de compra (sua restrição
orçamentária) em uma situação na qual desejam adquirir bens e, portanto, deman-
dam-nos (ou seja: são consumidores dos bens).
Você pode se perguntar sobre como um indivíduo compara uma “satisfação”
com a quantidade de renda que possui para gastar. A resposta a esta pergunta revela o
que, na verdade, é a grande vantagem da análise econômica aplicada a problemas de
decisão. Trata-se do fato de que podemos pensar na utilidade como algo que possui
um valor em si. Embora se fale de “graus de utilidade”, o que está implícito é que você
pode transformar esta utilidade em algo mensurável, por exemplo, em R$ (reais).
Assim, posso dizer que “abrir mão de dois charutos para obter mais uma garrafa de
uísque” possui um valor em termos de satisfação (ou eu não abriria mão dos charutos
em prol do uísque). Se minha valoração destes bens é compatível com o preço relativo,
vigente no mercado no momento de minha decisão, entre charutos e garrafa de uísque
então pode-se dizer que comprarei charutos e uísque. Para entender este resultado do
EBOOK DIREITO E ECONOMIA NO BRASIL 4ed.indb 34EBOOK DIREITO E ECONOMIA NO BRASIL 4ed.indb 34 25/02/2021 18:59:1425/02/2021 18:59:14
35
2 • MICROECONOMIA
ponto de vista econômico, vale a pena separar o problema da decisão em duas partes:
o que se deseja (preferências) e o que se pode comprar (restrição orçamentária).
2.1. Restrição Orçamentária do Indivíduo
A restrição orçamentária é def‌inida pelas combinações-limite de bens que podem
ser potencialmente adquiridas pelo indivíduo, dados seus preços e a sua renda. Por
exemplo, suponha que um consumidor tem à sua disposição uma renda mensal de
$10 unidades monetárias a ser dispendida com quantidades de dois bens: charutos e
garrafas de uísque. Suponha também que os preços dos bens sejam, respectivamente,
$0,50 (unidade) e $1,00 (garrafa). Se o indivíduo se interessar em utilizar toda a renda
apenas adquirindo charutos, poderia comprar 20 unidades (esta seria sua renda real
em termos de uísques). No outro extremo, 10 garrafas de uísque seria a quantidade
máxima que o mesmo poderia consumir caso deixasse de lado os charutos, ou seja,
sua renda real em termos de charutos
Estas combinações extremas e outras intermediárias (Tabela 1) são úteis para
se construir a Restrição Orçamentária Individual def‌inida acima e apresentada na
Figura 1, tendo garrafas de uísque no eixo vertical e charutos no horizontal.
Tabela 1
Cestas Factíveis dados Preço e Renda ($10)
Figura 1
EBOOK DIREITO E ECONOMIA NO BRASIL 4ed.indb 35EBOOK DIREITO E ECONOMIA NO BRASIL 4ed.indb 35 25/02/2021 18:59:1525/02/2021 18:59:15

Para continuar a ler

PEÇA SUA AVALIAÇÃO

VLEX uses login cookies to provide you with a better browsing experience. If you click on 'Accept' or continue browsing this site we consider that you accept our cookie policy. ACCEPT