MULHERES E FUTEBOL: UM ESTUDO SOBRE ESPORTE E PRECONCEITO

AutorMarcelo Victor da Rosa, Carlos Igor de Oliveira Jitsumori, Andrey Monteiro Borges, Maria Elizia de Melo Ribeiro
Páginas190-218
190 GÊNERO | Niterói | v. 21 | n. 1 | p. 190-218 | 2. sem 2020
190
MULHERES E FUTEBOL: UM ESTUDO SOBRE ESPORTE E
PRECONCEITO1
Marcelo Victor da Rosa2
Carlos Igor de Oliveira Jitsumori 3
Andrey Monteiro Borges4
Maria Elizia de Melo Ribeiro5
Resumo: Esta pesquisa teve por objetivo identificar preconceitos vividos por
mulheres praticantes de futebol. As informações foram obtidas por meio de
um questionário respondido por 47 praticantes do esporte. O preconceito
acontece de forma direta e indireta, sendo proferido pela família das atletas e a
mesmo pelas próprias jogadoras. Por isso, surge a necessidade de mais estudos e
discussões acerca do futebol feminino, para que este seja visto como um esporte
para todos/as e para que a mulher não necessite passar pelo constrangimento de
ter sua sexualidade questionada simplesmente por gostar e jogar futebol.
Palavras-chave: Futebol; Mulheres; Gênero.
Abstract: This research has the aim to identify prejudices lived by female
soccer players. The information was gathered from a questionnaire answered
by 47 female soccer players who play soccer. The prejudice happens in a
direct and indirect way, being delivered by the families or even by the soccer
players themselves. That’s why the need of more studies and discussion about
female soccer arises, so that it should be considered as a sport for all, and the
woman doesn’t need to go through the awkwardness of having her sexuality
questioned just because she likes and plays soccer.
Keywords: Soccer; Women; Gender.
1 O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES), Código de Financiamento 001.
2 Doutor em Educação na Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Professor-
adjunto da UFMS. E-mail: marcelo.rosa@ufms.br. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-0621-0389
3 Doutorando em Educação pelaUFMS. E-mail: onixs21@yahoo.com.br.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4050-6239
4 Mestre em Antropologia Social pelaUFMS. E-mail: andreyedfisicaa@gmail.com.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-5375-2471
5 Licenciada em Educação Física pelaUFMS. E-mail: barrosao78@gmail.com.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-9475-2654
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-
NãoComercial 4.0 Internacional.
191
GÊNERO | Niterói | v. 21 | n. 1 | p. 190-218 | 2. sem 2020
Introdução
A Educação Física tem uma especificidade: a cultura de movimento.
Esses conhecimentos, vivências e experiências que são perpassadas pelo/
para o corpo estampam diversas práticas reiteradas da nossa sociedade,
particularmente, neste estudo, aquelas relativas às performances de gênero
de Judith Butler (2016).
De antemão, faz-se necessário conceituar “gênero”. De acordo com
Marinês dos Santos (2018), “gênero” é um conjunto variado de significa-
dos culturais em construção nas diferenças entre homens e mulheres, que
perpassa a discussão de masculinidades e feminilidades. De forma a com-
plementar, Butler afirma que:
O gênero é uma complexidade cuja totalidade é permanentemente protelada,
jamais plenamente exibida em qualquer conjuntura considerada. Uma coalizão
aberta, portanto, afirmaria identidades alternativamente instituídas e abandona-
das, segundo as prop ostas em curso; tratar-se-á de uma assembleia que permit a
múltiplas convergências e divergências, sem obe diências a um telos normativo
definidor. (BUTLER, 2016, p. 42).
Para Caroline Oliveira (2008), “gênero” é entendido como diferenças
nas construções sociais e nas relações de poder a partir do que é social, cul-
tural e historicamente determinado. Essa percepção, por sua vez, está fun-
dada em binarismos que opõem masculino/feminino, forte/fraco e domi-
nante/dominado, sempre sendo entendida como uma categoria de análise
instável, múltipla e performática (BUTLER, 2016).
Quando pensamos gênero, mulher e esporte, entender as lógicas das
relações no tocante ao preconceito e à discriminação no futebol amador
para mulheres torna-se indispensável diante dos debates atuais – debates
esses que possibilitam diversos questionamentos, desde a capacidade da
mulher jogadora de futebol até suas relações com a sexualidade.
Nesse sentido, a jogadora Marta Vieira da Silva6 foi um divisor de águas no
futebol feminino. Contudo, ainda é muito comum ouvir: “brincadeira ou jogo
de menino ou menina”, bem como presenciar diversas situações promovendo
uma Educação Física que está longe de ser inclusiva. Conforme ressalta Suraya
Darido (2002), a escola é um dos lugares em que há exclusão para que meni-
nas não pratiquem futebol. Observa-se que, diante das situações de exclusão
6 Trataremos da biografia da jogadora de futebol Marta Vieira da Silva mais adiante no artigo.

Para continuar a ler

PEÇA SUA AVALIAÇÃO

VLEX uses login cookies to provide you with a better browsing experience. If you click on 'Accept' or continue browsing this site we consider that you accept our cookie policy. ACCEPT