O nó dessa ferida colonial: o trabalho doméstico em tempos de pandemia

AutorAline Cristina da Paixão Costa
CargoAssistente Social. Residente pelo Programa de Residência Uniprofissional em Serviço Social e Saúde pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ
Páginas656-672
O NÓ DESSA FERIDA COLONIAL: o trabalho doméstico em tempos de pandemia
Aline Cristina da Paixão Costa
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Resumo
O presente artigo visa trazer uma análise a respeito do trabalho doméstico durante a pandemia, exer cido por mulheres, em
especial, mulheres negras, analisando a construção social desse tipo de trabalho e as diversas formas de opressões que
colocam o trabalho doméstico como um lugar natural de serv idão. Para isso, o artigo se pautará em uma pesquisa
documental que traz, como contribuição, dados mencionados recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(IPEA), sobre a vulnerabilidade das trabalhadoras domésticas no contexto da pandemia da covid -19.
Palavras chaves: Pandemia.Trabalho doméstico. Racismo. Mulheres negras.
THE KNOT OF THIS COLONIAL WOUND: housework in times of pandemic
Abstract
This article aims to provide an analysis of domestic work during the pandemic, performed by wom en, especially black
women, analyzing the social construction of this type of work and how various forms of op pression that place domestic work
as a natural place of bondage. For this, the article will be based on a documentary research that br ings, as a contribution,
data recently notified by the Institute for Applied Economic Research (IPEA), on the vulnerabilit y of domestic workers in the
context of the covid-19 pandemic.
Keywords: Pandemic. Housework. Racism. Black women.
Artigo recebido em: 07/07/2021 Aprovado em: 20/11/2021
DOI: http://dx.doi.org/10.18764/2178-2865.v25n2p656-672
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Assistente Social. Residente pelo Programa de Residência Uniprofissional em Serviço Social e Saúde pela Universidade
do Estado do Rio de Janeiro - UERJ.. E-mail: line.80s@hotmail.com
Aline Cristina da Paixão Costa
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1 INTRODUÇÃO
O presente artigo visa trazer uma análise a respeito do trabalho doméstico exercidopor
mulheres,em especial por mulheres negras,no cenário da pandemia da COVID-19 durante o período de
2020a 2021, analisando a construção social desse tipo de trabalho e as diversas formas de opressões
que colocam o trabalho doméstico como um lugar natural de servidão.A escolha desta temática está
relacionada à urgência de debater e aprofundar estudos relacionados ao trabalho doméstico dentro da
divisão sexual e racial do trabalho.Para tanto, o artigo se pautará em uma pesquisa de revisão
bibliográfica trazendo como contribuição dados levantados pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada IPEA sobre a vulnerabilidade das trabalhadoras domésticas no contexto da pandemia da
COVID-19.
A pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2)
1
foi decretada pela Organização Mundial
da Saúde (OMS)em 11 março de 2020 como novo tipo de pandemia de caráter mundial. Apesar dos
primeiros casos de covid-19 datarem do final de 2019 na China, foi no ano de 2020 que o vírus passou
a se propagar para além do Oriente, trazendo, como consequência, impactos de ordem social,
econômica, política em todo o planeta. No Brasil, segundo os dados levantados no dia 21 de junho de
2021 pelo Ministério da Saúde no Painel do Coronavírus
2
, o número de casos confirmados no Brasil
chega a ser de 17,9 milhões, tendo o número de óbitos confirmados até a data presente de 551,8 mil
mortos, superando a marca desde o primeiro caso confirmado em 2020.
Antes da chegada do vírus, o país já vivenciava uma crise econômica nas últimas três
décadas, em especial, logo após o golpe de 2016, que proporcionou a expansão de um projeto de
austeridade fiscal conservadora por meio dos cortes dos gastos sociais nas políticas públicas e na
redução dos recursos públicos para o orçamento das políticas de Seguridade Social (Saúde,
Previdência e Assistência Social), retirando de maneira brutal os direitos conquistados pela classe
trabalhadora lançando em mãos o percurso de aceleração dos desmontes e de precarização de todo o
sistema protetivo do trabalho.
Para Cal e Brito (2020), “a crise sanitária vivenciada nos últimos anos coincidiu com uma
aguda crise política, graças à ascensão, em 2018, de um governo ultraliberal e ultraconservador que,
tal como acontece atualmente em várias partes do mundo”. Nesse contexto, o expansionismo
protofascista liderado pelo Presidente da República Jair Bolsonaro, agudiza ainda mais a destruição
dos direitos conquistados pela classe trabalhadora, colocando um abismo entre as relações de
desigualdades sociossexuais e um processo cada vez maior de subalternização apoiado num conjunto
de forças reacionárias.

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