Noção histórica

AutorChristiano Cassettari
Páginas3-9
2
NOÇÃO HISTÓRICA
2.1 INTRODUÇÃO
O vocábulo registrar, desde as primeiras civilizações, sempre teve um sentido básico
de consignar por escrito, inscrever, historiar.
Foi o advento da escrita, portanto, que passou a possibilitar a prática dos registros.
Inicialmente, foi a História, enquanto ciência, que passou a reduzir a escrito os fatos da
memória e da experiência humanas.
O surgimento da escrita, além disso, foi uma das maiores revoluções tecnológicas
da humanidade, introduzindo profundas alterações nos hábitos e no modo de vida das
pessoas, porque ela foi o instrumento capaz de f‌ixar, preservar, conservar, para resgate e
difusão, no presente ou no futuro, as ideias, descobertas, segredos, planos, negociações,
compromissos e tantas outras informações valiosas para os povos.
O problema que surgiu, logo a seguir, foi resolver como os escritos poderiam ter
fé ou conf‌iabilidade suf‌iciente para que se af‌irmassem como verdadeiros, autênticos,
originais, quando realizados no passado, de modo a serem respeitados, produzindo
efeitos no futuro.
Foi daí que surgiu a atividade dos escreventes como encargo de caráter público,
passando a realizar-se por pessoas incumbidas, pelo governo, de escreverem autentica-
mente o que a população perante eles declarasse ou f‌irmasse compromisso, guardando
consigo esses escritos, de modo a serem consultados, para o esclarecimento das dúvidas
surgidas no futuro, acerca das declarações ou avenças realizadas.
Há, por exemplo, registros no Antigo Testamento referindo a importância de colocar
por escrito os negócios (entre os hebreus, era tradicional que os escribas lavrassem as
escrituras), adotando cautelas para que essas escrituras fossem adequadamente con-
servadas, como pode ser visto no Livro de Jeremias (XXXII, 1 a 15):
“Esta é a palavra que o Senhor dirigiu a Jeremias no décimo ano do reinado de Ze-
dequias, rei de Judá, que foi o décimo oitavo ano de Nabucodonosor. Naquela época, o
exército do rei da Babilônia sitiava Jerusalém e o profeta Jeremias estava preso no pátio
da guarda, no palácio real de Judá. (...)
E Jeremias disse: ‘O Senhor dirigiu-me a palavra nos seguintes termos’: ‘Hanameel,
f‌ilho de seu tio Salum, virá ao seu encontro e dirá’: ‘Compre a propriedade que tenho em
Anatote, porque, sendo o parente mais próximo, você tem o direito e o dever de comprá-la’.
Conforme o Senhor tinha dito, meu primo Hanameel veio ao meu encontro no
pátio da guarda e disse: ‘Compre a propriedade que tenho em Anatote, no território de
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