Entre la vida y la muerte: la necropolítica en la era de la colonización y la enemistad
| Pages | 116-145 |
| Date | 01 January 2025 |
| Published date | 01 January 2025 |
| Author | Juan Víctor Alcántara Jorge |
ARTIGO
Cadernos do CEAS, Salvador/Recife, v. 50, n. 264, p. 116-145, jan./abr. 2025 | ISSN 2447-861X
ENTRE A VIDA E A MORTE: A NECROPOLÍTICA NA ERA DA
COLONIZAÇÃO E DA INIMIZADE
Between life and death: necropolitics in the age of colonization and enmity
João Vítor Alcântara Jorge
Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia, MG,
Brasil.
Informações do artigo
Recebido em 13/09/2024
Aceito em 17/06/2025
doi>: https://doi.org/10.25247/2447-861X.2025.n264.p116-145
Copyright (c) 2025 João Vítor Alcântara Jorge.
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JORGE, João Vítor Alcântara. Entre a vida e a morte: a
necropolítica na era da colonização e da inimizade. Cadernos
do CEAS: Revista Crítica de Humanidades. Salvador/Recife, v.
50, n. 264, p. 116-145, jan./abr. 2025. DOI:
https://doi.org/10.25247/2447-861X.2025.n264.p116-145
Resumo
O presente ar tigo investiga as intersecções entre
necropolítica, colonialismo e neoliberalismo, destacando
como essas dinâmicas afetam a vida de corpos subalternos.
Argumenta-se que a colonização despersonaliza indivíduos,
transformando-os em mercadorias e relegando-os a zonas
de inexistência social. A análise se fundamenta em conceitos
de inimizade e controle social, evidenciando que a
identificação de inimigos é crucial para a manutenção de
sociedades marcadas pela exclusão. A necropolítica é um
sistema que não apenas regula a vida, mas também decide
quem merece viver e quem pode ser descartado, refletindo
uma lógica de poder que prioriza determinados corpos em
detrimento de outros. Enfatiza-se a importância de dar voz
às narrativas subalternas, rompendo com a cultura de
apagamento promovida pelo colonialismo e pelo
neoliberalismo. Ao contar essas histórias, busca-se revelar
as engrenagens do poder global e desafiar as estruturas que
perpetuam desigualdade e violência. Este estudo contribui
para uma compreensão mais profunda das formas
contemporâneas de opressão e das relações de poder que
moldam a experiência de grupos marginalizados na
sociedade atual.
Palavras-chave: Necropolítica. Colonialismo.
Neoliberalismo. Corpos subalternos. Inimizade.
Abstract
This article investigates the intersections between
necropolitics, colonialism, and neoliberalism, highlighting
how these dynamics impact th e lives of subaltern bodies. It
argues that colonization dehumanizes individuals,
transforming them into commodities and relegating them to
zones of social non-existence. The analysis is grounded in
concepts of enmity and social control, demonstrating that
the identification of enemies is crucial for maintaining
societies marked by exclusion. Necropolitics is a system that
not only regulates life but al so decides who deserves to live
and who can be discarded, reflecting a power logic that
prioritizes certain bodies over others. The importance of
giving voice to subaltern narratives is emphasized, breaking
away from the culture of erasure promoted by colonialism
and neoliberalism. By telling these stories, the aim is to
reveal the mechanics of global power and challenge the
structures that perpetuate inequality and violence. This
study contributes to a deeper understanding of
contemporary forms of oppression and the power relations
that shape the experience of marginalized groups in today’s
society.
Keywords: Necropolitics. Colonialism. Neoliberalism.
Subaltern bodies. Enmity.
Cadernos do CEAS, Salvador/Recife, v. 50, n. 264, p. 116-145, jan./abr. 2025
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Entre a vida e a morte: a necropolítica na era da colonização e da inimizade | João Vítor Alcântara Jorge
INTRODUÇÃO
O processo de colonização sempre foi uma empreitad a realista, apresentando-se
como um investimento contra o indivíduo, despersonalizando corpos em detrimento da
elevação de outros. O aparato colonial baseia-se na dominação de corpos subalternos e na
exploração dos mesmos, transformando-os em moedas mercantis e objetos nas mãos do
colonizador. O colonizador cria o colonizado, impondo sobre seu corpo toda a violência
possível. Já o colonizado é relegado a uma zona de inexistência, sendo submetido à tentativa
de ser salvo de suas "animalidades". A racionalidade de deteriorar o corpo do outro é
disfarçada pelo discurso civilizatório e salvífico dirigido aos povos não pertencentes à Europa.
Com base nas zonas criadas pela colonização, o filósofo camaronês Achille Mbembe
(2020;2023) denomina o que entende por necropolítica, ou seja, a política pela qual a morte
de corpos subalternos é preferível e aceitável em uma sociedade colonial, racial e marcada
pela inimizade. As guerras contemporâneas seguem o mesmo princípio da colonização:
dividir corpos específicos em zonas de morte. Ademais, as relações humanas são definidas
por uma sociedade de inimizade e ódio coletivo, necessitando sempre identificar corpos
como inimigos comuns a fim de serem eliminados e liberar os desejos internos da população.
O sangue derramado de corpos descartáveis é a engrenagem principal do ímpeto da
necropolítica. Nesse sentido, a sociedade contemporânea é um território de inimizade e
terror, onde os corpos são reduzidos a ferramentas mercantis do sistema neoliberal.
Diante desse contexto, torna-se ne cessário discutir as relações humanas
contemporâneas e compreender as nuances de uma sociedade que exclui e mata corpos
específicos. Negros, mulheres, LGBT+, imigrantes – corpos subalternos, descartáveis,
matáveis. A necropolítica age priorizando determinados corpos em detrimento de outros.
Assim como ocorre na Palestina, onde campos de morte são sustentados em favor de um
poder brutal, a soberania em decidir quem vive e quem morre também d ireciona seu olhar
para a América Latina, aplicando a mesma lógica de poder para com os corpos descartáveis.
Nesse sentido, a desumanização é um aspecto central da necropolítica, manifestando-se em
práticas que visam a eliminação física ou simbólica de populações inteiras.
A relação entre o colonizado e o colonizador perpetua-se ao longo da história,
tornando-se a manutenção do sistema colonial. A dinâmica estabelecida entre eles é
percebida como uma dialética unilateral, na qual não se produz uma síntese, e o colonizador
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